16 julho, 2017

nota sobre o peso da maré

geralmente é forte. tenho medo de não conseguir mais olhar pra ela. feito o vento de agosto, eu sei que está ali porque me toca como toca as folhas de uma árvore; me derruba como derrubaria as folhas de uma árvore em crescimento. não posso me permitir andar descalça nesses dias, sinto medo do chão que piso. eu poderia voar no vento dela, que bate em outra porta e abre outra porta, arreganha janelas e enferruja trincos; talvez ela se assemelhe mais a algo vindo do mar. e eu não pesco, porque talvez eu não aguente o peso da maré.

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