Um filete de areia na calcinha e o mar que anuncia:
estou no brilho.
A saia verde e minha boca coçando você beija
O espanto na cara e meu lóbulo cansado você beija
Os sulcos na pele e mais sulcos na minha pele você beija
Dorme, eu ouço.
Os ombros colados e uma cócega na vulva
pra que me faça perder o medo
E eu afronte minha casa.
Assim te amo. Como correr na praia
a água morna forrando o corpo, a pele secando no sol.
O silêncio das tuas mãos e um dedo que desce bonito
Umidifica meu cansaço, me alimenta
Me sucumbe a um desejo antigo de ser comida
Aroeira, serralha, flor-de-pincel
Te amo nos poros e nos vultos: a palavra envolta no
tempo. Te amo no susto de não ser amor talvez
outra coisa
Uma saliva vazando da boca
atrapalhando acanhamentos.
Porque te amo tateio essa língua
que faz uma mulher prender nos dedos um mói de lençol.
Mostrando postagens com marcador Escritos inspirados em alguém. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Escritos inspirados em alguém. Mostrar todas as postagens
09 janeiro, 2019
04 julho, 2018
saber ouvir teu nome
para andressa
queimar-me como uma mulher queima em cinzeiro
te toco pra te achar bonita
enquanto a luz encadear minha cegueira.
de tudo que me ofereces, aceito um par de meias
pra me livrar do frio que carrego.
embora eu me recolha na tua casa, me ame na rua. me ame
no asfalto e nas rachaduras da parede. me ame enquanto os carros passam
e a pedra vire areia e a areia vire pó.
segurarei firme o teu cabelo, porque se lê queratina a minha urgência
conforme eu me recolho na tua casa.
e me olhe amena, porque tu me tens exausta.
teu nome segue baixo e sonoro na minha boca.
quero saber se me acharias fácil em meio às tuas coisas. potinhos de páprica
sabonetes de argila. rolos de linha. plantas, panelas, passos
me busca na tua colcha cor-de-rosa, me tira pra dançar
e eu gritarei teu nome de garganta inflamada
de forma que eu me recolha na tua casa
e faça parte do que é vivo dentro dela.
mas você me olha e eu sinto que há algo de bonito em toda miudez
de todo aspecto agrilhoado dos meus pés a uma pedra
que a escada é pouca e eu subiria mais
que eu tenho fome de quando tua cara é palpável, muito além
de um holograma insípido e nervoso.
muito além de beijos na grade
e tremores de pernas na cerâmica, espocam
e eu arranho as tuas costas pra que desmonte
nesse real e minúsculo braço onde repouso a cabeça.
queimar-me como uma mulher queima em cinzeiro
te toco pra te achar bonita
enquanto a luz encadear minha cegueira.
de tudo que me ofereces, aceito um par de meias
pra me livrar do frio que carrego.
embora eu me recolha na tua casa, me ame na rua. me ame
no asfalto e nas rachaduras da parede. me ame enquanto os carros passam
e a pedra vire areia e a areia vire pó.
segurarei firme o teu cabelo, porque se lê queratina a minha urgência
conforme eu me recolho na tua casa.
e me olhe amena, porque tu me tens exausta.
teu nome segue baixo e sonoro na minha boca.
quero saber se me acharias fácil em meio às tuas coisas. potinhos de páprica
sabonetes de argila. rolos de linha. plantas, panelas, passos
me busca na tua colcha cor-de-rosa, me tira pra dançar
e eu gritarei teu nome de garganta inflamada
de forma que eu me recolha na tua casa
e faça parte do que é vivo dentro dela.
mas você me olha e eu sinto que há algo de bonito em toda miudez
de todo aspecto agrilhoado dos meus pés a uma pedra
que a escada é pouca e eu subiria mais
que eu tenho fome de quando tua cara é palpável, muito além
de um holograma insípido e nervoso.
muito além de beijos na grade
e tremores de pernas na cerâmica, espocam
e eu arranho as tuas costas pra que desmonte
nesse real e minúsculo braço onde repouso a cabeça.
12 junho, 2018
C.
automaticamente pensar em você
e nascer de um plástico como se nasce de um saco escrotal
porque C. não sabe
que por exemplo as sobrancelhas guardam o suor todo da testa
e por isso eu as descabelo inteiras
na tentativa de obstrução, abstração, vínculo
arreganho, plena
desconheço a tua força
e por isso eu interajo, fluída, no que resta do teu sono.
não tenho culpa de ser triste.
meu processo ter sido homem
porque eu não tenho paz e eu não tenho físico e eu não tenho palavra.
não importa se no dia triste como esse domingo de maio
você me diga que eu não fui nada além de um mosqueiro
e que eu sou frágil demais pra tentar te proteger de alguma coisa
eu apenas acenaria com a cabeça
já não importa se eu pareço um homem descalço de dedos curtos
acenando pra uma mulher como se ela fosse um conhecido distante na rua
e eu repousasse sobre as suas pernas na indignação de parecer que sofro
eu não sinto mais medo da morte
das paixões que carrego na bolsa
verdinha que eu acabei de comprar.
repousei num momento de espanto e alívio
automaticamente pensei em você
mas são muitos tantos os amores molhados que a gente enxuga.
e hoje eu sento. e choro. e faço do teu nome escândalo. cúpula.
não tive consciência alguma do poder que teve
a mulher nociva que você também foi
no parapeito imenso e insoso e intenso
desse sopro.
e nascer de um plástico como se nasce de um saco escrotal
porque C. não sabe
que por exemplo as sobrancelhas guardam o suor todo da testa
e por isso eu as descabelo inteiras
na tentativa de obstrução, abstração, vínculo
arreganho, plena
desconheço a tua força
e por isso eu interajo, fluída, no que resta do teu sono.
não tenho culpa de ser triste.
meu processo ter sido homem
porque eu não tenho paz e eu não tenho físico e eu não tenho palavra.
não importa se no dia triste como esse domingo de maio
você me diga que eu não fui nada além de um mosqueiro
e que eu sou frágil demais pra tentar te proteger de alguma coisa
eu apenas acenaria com a cabeça
já não importa se eu pareço um homem descalço de dedos curtos
acenando pra uma mulher como se ela fosse um conhecido distante na rua
e eu repousasse sobre as suas pernas na indignação de parecer que sofro
eu não sinto mais medo da morte
das paixões que carrego na bolsa
verdinha que eu acabei de comprar.
repousei num momento de espanto e alívio
automaticamente pensei em você
mas são muitos tantos os amores molhados que a gente enxuga.
e hoje eu sento. e choro. e faço do teu nome escândalo. cúpula.
não tive consciência alguma do poder que teve
a mulher nociva que você também foi
no parapeito imenso e insoso e intenso
desse sopro.
19 fevereiro, 2018
presságio
te amar como um projeto de míssil
alvos se mostram prontos meu digníssimo silêncio
te estourar os ossos
fazer da morte um presságio
tenho baba de homem na boca
de quem perdi metade de meu desejo
e continua o que de vivo sobrou meu tempo:
na boca dessa menina apenas sinta a saliva
que ofereço.
alvos se mostram prontos meu digníssimo silêncio
te estourar os ossos
fazer da morte um presságio
tenho baba de homem na boca
de quem perdi metade de meu desejo
e continua o que de vivo sobrou meu tempo:
na boca dessa menina apenas sinta a saliva
que ofereço.
14 fevereiro, 2018
cintilantes. volúveis. fieis.
a vitor, jean e cecília
estando em meio a tantos corpos magrelos eu não me importo
que os ossos de algum de vocês me perfure a costela
e eu varreria tua casa com meu arrastar de chinelo
devagar, porque não costumo andar em linha reta
e me borda os calcanhares, não tenho medo
e num relance de escadas, em meio às cavalgadas cirsenses
eu te chamaria de potro, meu esbelto potro
te pediria que me lançasse longe
por uma morte que não é ferida por uma ferida que não arranhe
meu menino me é quase como uma dama de vermelho
que tem areia no batom que espera constantemente pelos touros
podem ver, por esses óculos, o rapaz bonito que eu tô vendo?
depois me fazer escandalizar no coração desses meninos
por você eu estaria sendo eternamente confeccionada
como se tivesse cheia apenas de presença em que tudo é processo
tua calça estampada que se confunde nesse estofado
não importa se pareço vestida
me movimento com os dedos tua falange esbranquiçada
posso desfilar onipresente nas peles finas que habito
e assim te presenteio com os dedos de esmalte
mas você constatou que de tudo ficou um pouco do meu desejo. do teu vazio
@ me entrelaça os dedos me deixa perplexa
me abraçou forte, meu pintor de parede
[se tua casa fosse ninho pro meu antro]
onde vejo um desenho do roberto carlos olhando pra cima
a jovem guarda me é um mistério e eu ouço
hojendia só o solo da tua guitarra
hojendia só a falta de sincronização
hojendia só a queda dos meninos jogando bola
aqui, agora
nada mudará o fato de que eu ainda terei que pegar o próximo ônibus
12 dezembro, 2017
do baixo dos prédios
olhando aqui por baixo teu olhar xamânico
vezenquando permanece vivo o negro petróleo nas narinas
e eu penso que rapé é uma miragem
uma visão de necrotério
e eu penso que sou ciente. sou solúvel.
deixando meus pés descalços nas camadas finas de sal grosso
estaríamos você e eu monocromáticos
traindo nossa vila, nossa bandeira
e aqui de cima eu penso na depressão de quem olha pra baixo
vou saber das marcas únicas de sapato
eficiente olhar confuso em desvendar verniz.
descobri que tudo racha
talvez se salve os lábios de gloss brilhoso
a cidade não protege quem não olha pra frente
e fica preso em seu pequeno sabor de hollyood
o peso que sinto sobre você é porque verifico pulmões
e eu não quero que morra
a minha menina.
pensando em escalar paredes eu desenvolvi esse apreço
vivo contínua. perplexa. saturada.
e esse prédio tirando minha vista eu não me conformo
por isso eu escalo paredes
por isso eu atrapalho o sinal da tv de vocês.
me prendi meticulosa nos teus calcanhares
porque aqui de baixo você parecia um bicho e teu cabelo se formou laranja
mas você não sabe escalar prédios
e eu caí.
aqui deitada nessa calçada eu penso que tenho um corpo selvagem
igual aos meninos de cabelo solto que se desmancham
em tantos e tantos pedaços de naturalismo
e que tudo em mim não me agrada
acho que sou um homem
, desculpa.
mas eu não posso saciar a fragilidade dos outros
e me expressar como um indivíduo desconstruído
eu sentiria saudade de mim
do eu confuso.
vezenquando permanece vivo o negro petróleo nas narinas
e eu penso que rapé é uma miragem
uma visão de necrotério
e eu penso que sou ciente. sou solúvel.
deixando meus pés descalços nas camadas finas de sal grosso
estaríamos você e eu monocromáticos
traindo nossa vila, nossa bandeira
e aqui de cima eu penso na depressão de quem olha pra baixo
vou saber das marcas únicas de sapato
eficiente olhar confuso em desvendar verniz.
descobri que tudo racha
talvez se salve os lábios de gloss brilhoso
a cidade não protege quem não olha pra frente
e fica preso em seu pequeno sabor de hollyood
o peso que sinto sobre você é porque verifico pulmões
e eu não quero que morra
a minha menina.
pensando em escalar paredes eu desenvolvi esse apreço
vivo contínua. perplexa. saturada.
e esse prédio tirando minha vista eu não me conformo
por isso eu escalo paredes
por isso eu atrapalho o sinal da tv de vocês.
me prendi meticulosa nos teus calcanhares
porque aqui de baixo você parecia um bicho e teu cabelo se formou laranja
mas você não sabe escalar prédios
e eu caí.
aqui deitada nessa calçada eu penso que tenho um corpo selvagem
igual aos meninos de cabelo solto que se desmancham
em tantos e tantos pedaços de naturalismo
e que tudo em mim não me agrada
acho que sou um homem
, desculpa.
mas eu não posso saciar a fragilidade dos outros
e me expressar como um indivíduo desconstruído
eu sentiria saudade de mim
do eu confuso.
08 dezembro, 2017
você poderia, por favor, permanecer na janela?
tateias, cega, o ventre frágil de um bicho
olhas pra mim, tenho cara de subversiva?
tenho na língua algum gosto de vingança?
não verei chances em peles pretas
não verei suor como lubrificante
é o que vejo a rede balançando em silêncio
porque há algo de exaustivo em ouvir a própria voz
e por isso os escândalos
e por isso a rouquidão
tateias, indiferente, a nuca flácida de um bicho
a transa rápida se deve aos vários homens
mas nós temos o nosso próprio ritmo
nossas notas dissonantes
e busco alívio na mão que pesa
em minhas coxas tua unha é só miragem
mas eu sinto
tateias, cativante, o solo úmido de um bicho
são teus passos maciços sobre meu eterno cansaço
pra eu poder pedir pra rua que me encara amarga
mais olfato que visão
porque eu não tenho mais o mesmo rosto
e eu não percebo mais os mesmo rostos
eu não enxergo ninguém
tateias, paciente, o colo raso de um bicho
eu te veria tão bonita comentando filme mudo
que eu só me calo
sinto um peso breve quieto em minhas coxas
é você dando pausa
é que eu não posso deixar que façam casa na minha cabeça
eu te diria que não faça casa na minha cabeça
não agora
olhas pra mim, tenho cara de subversiva?
tenho na língua algum gosto de vingança?
não verei chances em peles pretas
não verei suor como lubrificante
é o que vejo a rede balançando em silêncio
porque há algo de exaustivo em ouvir a própria voz
e por isso os escândalos
e por isso a rouquidão
tateias, indiferente, a nuca flácida de um bicho
a transa rápida se deve aos vários homens
mas nós temos o nosso próprio ritmo
nossas notas dissonantes
e busco alívio na mão que pesa
em minhas coxas tua unha é só miragem
mas eu sinto
tateias, cativante, o solo úmido de um bicho
são teus passos maciços sobre meu eterno cansaço
pra eu poder pedir pra rua que me encara amarga
mais olfato que visão
porque eu não tenho mais o mesmo rosto
e eu não percebo mais os mesmo rostos
eu não enxergo ninguém
tateias, paciente, o colo raso de um bicho
eu te veria tão bonita comentando filme mudo
que eu só me calo
sinto um peso breve quieto em minhas coxas
é você dando pausa
é que eu não posso deixar que façam casa na minha cabeça
eu te diria que não faça casa na minha cabeça
não agora
02 dezembro, 2017
poema para incentivar o coração não preenchido
para cecília
eu prometo te beijar sem esse cheiro de cigarro
que vem queimando meu bolso de trás
e sujando minhas calças brancas de tecido sedoso
não tenho no lábio gosto algum criança
pra poder sentir o seu direito
foi te chamando pra um samba gostoso na rio branco
que eu deixei minhas pernas bambearem soltas
e a voz do cartola no ouvido me soou verdadeiro
te escrevo pés descalços gozo sinuoso pra que me entenda, bem
me aproximo calma com o dedo sujo de tinta
eu não fico de olho nos meninos morenos de cabelo grande
eu só ouço uns tal de lo-fi como se ouvisse a nona sinfonia
continuo te vendo de chapada na roda apesar de tudo
e mesmo se você me dissesse adeus num grafite pra que eu não esquecesse
eu só conseguiria te dizer como é desconcertante
com você no meu braço eu não teria medo da câimbra
e que você não tenha medo também de pousar sobre minhas veias portanto
não me baste aos sábados como se eu não vivesse os dias todos
inaugurando os espaços que não nos cabem
pelo menos não espremendo limões
e poder te chamar de avenue des ternes
ou talvez saint-honoré
e te deixar fazer carinho no meu pequeno ventre
com um gosto sutil que eu quero no meu braço
travestido de 51
eu prometo te beijar sem esse cheiro de cigarro
que vem queimando meu bolso de trás
e sujando minhas calças brancas de tecido sedoso
não tenho no lábio gosto algum criança
pra poder sentir o seu direito
foi te chamando pra um samba gostoso na rio branco
que eu deixei minhas pernas bambearem soltas
e a voz do cartola no ouvido me soou verdadeiro
te escrevo pés descalços gozo sinuoso pra que me entenda, bem
me aproximo calma com o dedo sujo de tinta
eu não fico de olho nos meninos morenos de cabelo grande
eu só ouço uns tal de lo-fi como se ouvisse a nona sinfonia
continuo te vendo de chapada na roda apesar de tudo
e mesmo se você me dissesse adeus num grafite pra que eu não esquecesse
eu só conseguiria te dizer como é desconcertante
com você no meu braço eu não teria medo da câimbra
e que você não tenha medo também de pousar sobre minhas veias portanto
não me baste aos sábados como se eu não vivesse os dias todos
inaugurando os espaços que não nos cabem
pelo menos não espremendo limões
e poder te chamar de avenue des ternes
ou talvez saint-honoré
e te deixar fazer carinho no meu pequeno ventre
com um gosto sutil que eu quero no meu braço
travestido de 51
30 outubro, 2017
fumaça sensação
para sarah
talvez você não saiba, mas uns animais pedem consolo no colo de outros
às vezes ombros, peitos, costelas
e às vezes se indignam. se frustram. se decepcionam.
com os olhos encostados na arquibancada de cima
estamos nós também, de cigarrinho aceso.
não me atrevo nesses dedos que permeiam o solo frágil
apesar de ter dedos que queimam, lábios apressados, fome
não quero te fazer dormir, criança louca
quero o gloss
os brincos de argola.
mas havia pós-punk e as bandas psicodélicas de goiânia
por hora, no entando, eu apenas ouço seu bater de pernas ao meu lado
ouvindo de mim sobre a carência dos animais
deixando clara a minha própria necessidade, meus anseios
que sejamos nós dentro dessa cidade apenas obstáculos
apenas fumaça sensação.
mas você falou que carregaria na cabeça alguém bonita como eu
acredito nos colóquios subversivos vindos de bocas cheias de vinho
acredito nos beijos com sabor de catuaba
e nas arquibancadas de cimento
eu deixo passar despercebidas as perturbações
e te beijo ciente do mundo.
talvez você não saiba, mas uns animais pedem consolo no colo de outros
às vezes ombros, peitos, costelas
e às vezes se indignam. se frustram. se decepcionam.
com os olhos encostados na arquibancada de cima
estamos nós também, de cigarrinho aceso.
não me atrevo nesses dedos que permeiam o solo frágil
apesar de ter dedos que queimam, lábios apressados, fome
não quero te fazer dormir, criança louca
quero o gloss
os brincos de argola.
mas havia pós-punk e as bandas psicodélicas de goiânia
por hora, no entando, eu apenas ouço seu bater de pernas ao meu lado
ouvindo de mim sobre a carência dos animais
deixando clara a minha própria necessidade, meus anseios
que sejamos nós dentro dessa cidade apenas obstáculos
apenas fumaça sensação.
mas você falou que carregaria na cabeça alguém bonita como eu
acredito nos colóquios subversivos vindos de bocas cheias de vinho
acredito nos beijos com sabor de catuaba
e nas arquibancadas de cimento
eu deixo passar despercebidas as perturbações
e te beijo ciente do mundo.
26 setembro, 2017
serei eu repleta de inutilidades
possíveis erros. reestruturação das lembranças.
eu não serei, jamais, inquieta
diante do teu amor cansado. passivo. distante.
serei eu, portanto, cansada também.
homens nocivos me incriminam
sem facas, adegas, panos de prato, amor, amor
eu não tenho sequer um molho pronto pra jogar na cara de vocês.
sou alvo, desculpa, serei sempre alvo
e por isso tenho pressa de morrer em mãos exaustas.
quentes. calmas. mãos de mulher.
por isso me perdi tentando ver em você um deus
um deus ausente de espiritualidade
que me apontasse o caminho real da volta
pra ser plena e desfigurada.
não, não carrego em mim sonho algum
estou repleta de inutilidades
a escassez é o mundo e o mundo a escassez em si
você disse: perplexa. moldável.
eu sou o alívio:
inviável. insaciável. intransponível.
quase mitigada, te darei aos montes
o vazio das coisas.
eu sei que você estará aí. ambígua. polissêmica.
esperando minhas pernas bambearem, minhas asas se quebrarem ao meio.
mas não. não serei eu.
eu não serei, jamais, inquieta
diante do teu amor cansado. passivo. distante.
serei eu, portanto, cansada também.
homens nocivos me incriminam
sem facas, adegas, panos de prato, amor, amor
eu não tenho sequer um molho pronto pra jogar na cara de vocês.
sou alvo, desculpa, serei sempre alvo
e por isso tenho pressa de morrer em mãos exaustas.
quentes. calmas. mãos de mulher.
por isso me perdi tentando ver em você um deus
um deus ausente de espiritualidade
que me apontasse o caminho real da volta
pra ser plena e desfigurada.
não, não carrego em mim sonho algum
estou repleta de inutilidades
a escassez é o mundo e o mundo a escassez em si
você disse: perplexa. moldável.
eu sou o alívio:
inviável. insaciável. intransponível.
quase mitigada, te darei aos montes
o vazio das coisas.
eu sei que você estará aí. ambígua. polissêmica.
esperando minhas pernas bambearem, minhas asas se quebrarem ao meio.
mas não. não serei eu.
Marcadores:
Escritos inspirados em alguém,
Eu (quando me vejo),
Poesias
21 setembro, 2017
eu deito em cima de um corpo diferente
eu deito em cima de um corpo diferente
um corpo sem resistência, atrelado
não desperta com o espanto, permanece justo
e o toque new wave abatido
eu sinto o cheiro do algodão-doce azul
em fios de cabelo imersos
just like a woman
esquece os dedos dentro das calças
eu esqueci meu peso minha cabeça
eu esqueci o tumulto
porque a outra deixou um resquício de ruína
e eu quase choro naquele peito
com cara de morte
eu te falarei da escassez
a língua cansada manchada de preto ainda assim
é uma língua bonita
esperneada
ainda que quieta
dentro da boca
no entanto partir se confronta
ao ato de cuspir no outro
longe revela-se inalcançável
intransponível
e o ranço
o ranço predomina.
um corpo sem resistência, atrelado
não desperta com o espanto, permanece justo
e o toque new wave abatido
eu sinto o cheiro do algodão-doce azul
em fios de cabelo imersos
just like a woman
esquece os dedos dentro das calças
eu esqueci meu peso minha cabeça
eu esqueci o tumulto
porque a outra deixou um resquício de ruína
e eu quase choro naquele peito
com cara de morte
eu te falarei da escassez
a língua cansada manchada de preto ainda assim
é uma língua bonita
esperneada
ainda que quieta
dentro da boca
no entanto partir se confronta
ao ato de cuspir no outro
longe revela-se inalcançável
intransponível
e o ranço
o ranço predomina.
28 agosto, 2017
adegas e cabelos grandes
a coisa da adega no peito
a tua voz arderá no útero
eu sei que corro
e você estará lá calibrando os pneus
seguimos
num lance bíblico amarrando as avencas
sentindo o pó das flores
abaixo dos pés descalços
enquanto teus fios
brotam volume
não quero a dor
de fingir que não vejo
os homens atolando os bois
me ensina qual pedra usar no pescoço
seu ponto de força
o breu que reje
é a nudez que escondo:
entre
com as pedras de xangô nas mãos
a cor
a nossa cor
que a paleta não mostra
a tua voz arderá no útero
eu sei que corro
e você estará lá calibrando os pneus
seguimos
num lance bíblico amarrando as avencas
sentindo o pó das flores
abaixo dos pés descalços
enquanto teus fios
brotam volume
não quero a dor
de fingir que não vejo
os homens atolando os bois
me ensina qual pedra usar no pescoço
seu ponto de força
o breu que reje
é a nudez que escondo:
entre
com as pedras de xangô nas mãos
a cor
a nossa cor
que a paleta não mostra
19 julho, 2017
você e eu e a sensação da fuga
para Glícia
somos nós e o efeito placebo
não é sobre crescer é sobre crescer sem remédio
é sobre a revolução é sobre como nós fazemos a revolução
e a tristeza de estar só existindo
pensando que talvez nunca mais os espermas
nunca mais gastar batom em vão
você e eu e a crença no pós-guerra
nossos piercings falsos e a nossa procura pela verdade
você foi e seja talvez o ombro que carrega a cura
de se enxergar enquanto sol
em mês chuvoso
nossa dor está sendo panfletada
e eu sentencio minha morte cada vez que me movo
há nós e há a sensação da fuga
você está nessa de se olhar pra fora
e eu estou nessa de me olhar pra dentro
e há na palavra pele
o sentido das coisas
somos nós e o efeito placebo
não é sobre crescer é sobre crescer sem remédio
é sobre a revolução é sobre como nós fazemos a revolução
e a tristeza de estar só existindo
pensando que talvez nunca mais os espermas
nunca mais gastar batom em vão
você e eu e a crença no pós-guerra
nossos piercings falsos e a nossa procura pela verdade
você foi e seja talvez o ombro que carrega a cura
de se enxergar enquanto sol
em mês chuvoso
nossa dor está sendo panfletada
e eu sentencio minha morte cada vez que me movo
há nós e há a sensação da fuga
você está nessa de se olhar pra fora
e eu estou nessa de me olhar pra dentro
e há na palavra pele
o sentido das coisas
26 junho, 2017
eu presumi que era amor
por algum motivo: essa chuva
e nós duas sussurrando sobre a infinidade das coisas
o complexo de superioridade que as formigas têm
elas sobem pelas nossas pernas enquanto as roçamos
vingança fome ódio
te endereço o meu refluxo se disse que entraria rasgando minha garganta
tiraria esse nó com a ponta úmida dos dedos
o nó estilo marinheiro que precisa amarrar as coisas para não perdê-las
nós duas e esse casaco compartilhado com cheiro de futuro
acho que quando você apareceu, eu finalmente entendi a capacidade
que o corpo tem de se alterar
entendi que as pessoas erram muito pela insuficiência da geografia
você me disse que o amor está na cabeça
e se assemelha muito às guirlandas penduradas no pescoço de um hippie anos 60
estamos perdidas nesse continente
e ele não mede mais que as nossas unhas sobre o mapa
entrar naquele automóvel me fez duvidar das leis da física
você me deixou respirar pela única fresta existente
que eu logo assemelhei a um buraco de minhoca
daqueles que se fecham em frações de segundos e matam os astronautas russos
me fez lembrar que é por cima da tua nuca o único lugar que me conforta
embora exista lugares tão incríveis como as periferias da frança
e amar minha capacidade de apneia
meu medo de tudo que é infinitamente escandaloso
como essas pessoas que nos olham e preferem a guerra à esse minúsculo gesto de afeto
e a guerra é tão mais perigosa, você não acha?
foi quando eu presumi que era amor na medida em que você sorria no meio do errado
os nossos óculos se batem e ainda assim eu prefiro usá-los
pra não perder de vista o que tenho
e o que tenho é você que verifiquei gostar como gosto dos abraços distraídos
porque trazem a força e a resistência dos cactos à seca
nessas noites, nesses ônibus, sobre essas pessoas que me beijam no pescoço e sentem seu perfume
eu busco matar minha fome
enquanto isso significar atravessar fronteiras com você.
e nós duas sussurrando sobre a infinidade das coisas
o complexo de superioridade que as formigas têm
elas sobem pelas nossas pernas enquanto as roçamos
vingança fome ódio
te endereço o meu refluxo se disse que entraria rasgando minha garganta
tiraria esse nó com a ponta úmida dos dedos
o nó estilo marinheiro que precisa amarrar as coisas para não perdê-las
nós duas e esse casaco compartilhado com cheiro de futuro
acho que quando você apareceu, eu finalmente entendi a capacidade
que o corpo tem de se alterar
entendi que as pessoas erram muito pela insuficiência da geografia
você me disse que o amor está na cabeça
e se assemelha muito às guirlandas penduradas no pescoço de um hippie anos 60
estamos perdidas nesse continente
e ele não mede mais que as nossas unhas sobre o mapa
entrar naquele automóvel me fez duvidar das leis da física
você me deixou respirar pela única fresta existente
que eu logo assemelhei a um buraco de minhoca
daqueles que se fecham em frações de segundos e matam os astronautas russos
me fez lembrar que é por cima da tua nuca o único lugar que me conforta
embora exista lugares tão incríveis como as periferias da frança
e amar minha capacidade de apneia
meu medo de tudo que é infinitamente escandaloso
como essas pessoas que nos olham e preferem a guerra à esse minúsculo gesto de afeto
e a guerra é tão mais perigosa, você não acha?
foi quando eu presumi que era amor na medida em que você sorria no meio do errado
os nossos óculos se batem e ainda assim eu prefiro usá-los
pra não perder de vista o que tenho
e o que tenho é você que verifiquei gostar como gosto dos abraços distraídos
porque trazem a força e a resistência dos cactos à seca
nessas noites, nesses ônibus, sobre essas pessoas que me beijam no pescoço e sentem seu perfume
eu busco matar minha fome
enquanto isso significar atravessar fronteiras com você.
29 maio, 2017
'o amor se pega no cuspe'
menino curumim e cósmicopasse devagar entre as minhas pernas
não rejeite a possibilidade de alinhar esses teus cabelos em mim
e esse gozo prévio
talvez com essa tua lateral egípcia.
amor que não dura o que promete
e fixa
eu quero culminar na densidade desse gesto.
porque é assim que se vive o amor
com o cuspe grudado na mão
tornando-se viscoso na medida em que
o encostamos no rosto
quero que alguém me ame com o mesma saliva
presente na boca de um menino
que é onde eu me afogo.
eu quero repetir pra você que as coisas são enxutas demais
e as pessoas não bastam
e a transa não basta
às vezes é preciso cuspir no prato que se come
do alto, um corpo estranho ri de mim.
02 fevereiro, 2017
arthur
arthur foi o garoto que me mostrou meu primeiro palavrão
mostrou pra sala inteira, de jaleco
mas ainda assim pra mim, o palavrão,
mas ainda assim o meu primeiro
com a tinta vermelha espirrando feito hemorragia
e a agonia no ouvido com o ranjido do piloto
de letras garrafais, assumidamente:
ca-ra-lho
arthur batia com a cadeira de plástico na parede
pra mostrar como os pais trepavam
e ele ouvia
a mãe acordava tarde e esquecia de pôr a roupa pra lavar
arthur juntava tudo
e ia pro colégio com a farda rosa
chorou no dia da apresentação porque a tia morreu de diabete
e comer doce da cantina na hora do intervalo
era o mesmo que cometer suicídio
mas arthur descobriu pressão alta na aula de educação física
e começou a passar fome
arthur era o único garoto da sala que dançava quadrilha sozinho
foi de vestido amarelo no dia do ensaio
e usou asas douradas pra fazer o cupido no teatro
e todo mundo riu
porque arthur era o maior machão nas terças
quando ia pra secretaria
passava a testa no vidro da janela pra ficar embaçado
e ninguém o visse chorando
diziam que arthur cheirava pimenta do reino
como se cheira pó
fazendo um caminho de pimenta na cadeira com a carteira de estudante
e por isso não a riscava de caneta
pra que ninguém o descobrisse
arthur abandonou todo mundo quando passou pro turno da tarde
e depois pro da noite
e depois ninguém o via mais
depois disso, ninguém sentava mais na cadeira de arthur
mostrou pra sala inteira, de jaleco
mas ainda assim pra mim, o palavrão,
mas ainda assim o meu primeiro
com a tinta vermelha espirrando feito hemorragia
e a agonia no ouvido com o ranjido do piloto
de letras garrafais, assumidamente:
ca-ra-lho
arthur batia com a cadeira de plástico na parede
pra mostrar como os pais trepavam
e ele ouvia
a mãe acordava tarde e esquecia de pôr a roupa pra lavar
arthur juntava tudo
e ia pro colégio com a farda rosa
chorou no dia da apresentação porque a tia morreu de diabete
e comer doce da cantina na hora do intervalo
era o mesmo que cometer suicídio
mas arthur descobriu pressão alta na aula de educação física
e começou a passar fome
arthur era o único garoto da sala que dançava quadrilha sozinho
foi de vestido amarelo no dia do ensaio
e usou asas douradas pra fazer o cupido no teatro
e todo mundo riu
porque arthur era o maior machão nas terças
quando ia pra secretaria
passava a testa no vidro da janela pra ficar embaçado
e ninguém o visse chorando
diziam que arthur cheirava pimenta do reino
como se cheira pó
fazendo um caminho de pimenta na cadeira com a carteira de estudante
e por isso não a riscava de caneta
pra que ninguém o descobrisse
arthur abandonou todo mundo quando passou pro turno da tarde
e depois pro da noite
e depois ninguém o via mais
depois disso, ninguém sentava mais na cadeira de arthur
02 novembro, 2016
30 de outubro
para Alex,
o melhor tocador de flauta doce.
como se fossem dois extremos as dores
o silêncio palpável de carne, osso e fibra
e a essência da beleza andrógina
que corrobora com tua boca de flauta
ofusca, brusca
e todos nós sabemos que dói.
tímido fluxo do teu rio
encontra o mar que nem enchente
o amor que a gente dá é igual ao amor que a gente tem
mas você não se limita.
há uma lousa na tua pele
que dá pra definir com clareza o caminho da maré
e agora o teu caminho
com os mesmos ápices e os mesmos sulcos
fino o corpo de homem que consulta outro mesmo corpo de homem
pra saber se a cabeça inflama
e pra saber se a bebida queima quando passa pela língua
até que te deixe sem fala
sem tato e sem matéria
pra que eu nunca mais te toque, longe de mim.
o melhor tocador de flauta doce.como se fossem dois extremos as dores
o silêncio palpável de carne, osso e fibra
e a essência da beleza andrógina
que corrobora com tua boca de flauta
ofusca, brusca
e todos nós sabemos que dói.
tímido fluxo do teu rio
encontra o mar que nem enchente
o amor que a gente dá é igual ao amor que a gente tem
mas você não se limita.
há uma lousa na tua pele
que dá pra definir com clareza o caminho da maré
e agora o teu caminho
com os mesmos ápices e os mesmos sulcos
fino o corpo de homem que consulta outro mesmo corpo de homem
pra saber se a cabeça inflama
e pra saber se a bebida queima quando passa pela língua
até que te deixe sem fala
sem tato e sem matéria
pra que eu nunca mais te toque, longe de mim.
21 setembro, 2016
Zilda
no dia em que me deixaram rente
ao emaranhado da cerca de arame farpado,
eu deitei na grama crente que fora calçada aquela rua.
rua que eu percorria descalça, queimando já os calos
ganhados no dia anterior
e sentia sempre às cinco da tarde um perfume velho
de quem já era velho por natureza e já nem precisava
de essência alguma pra demonstrar que a morte vinha vindo;
impregnava no lóbulo da orelha e vinha descendo,
transpirando pela pele desidratada.
eu percorria essa pele com meus dedos sujos;
o que refletia nos olhos castanhos era apenas a clareza
de quem só via sentido na existência de alguém que já estava
por não existir
ainda que forte, lúcida, incansável
aquele corpo tão corajoso que sempre bateu de frente com
o maior dos muros de tijolos não-revestidos.
eu sinto muito por ter medido cada palavra
e por ter percorrido novamente aquela rua de paralé
sempre no mesmo sentido para dar, numa última chance,
uma alegria última que fosse,
mas que era clara a não-intenção de ter sido intencional
essa parada súbita
essa ida inesperada
que me pegou em cheio como um toque de uma mão lisa
nas minhas pálpebras
e encostou nos cílios e fechou meus olhos
pra que eu dormisse junto
e morresse junto
pra sempre.
ao emaranhado da cerca de arame farpado,
eu deitei na grama crente que fora calçada aquela rua.
rua que eu percorria descalça, queimando já os calos
ganhados no dia anterior
e sentia sempre às cinco da tarde um perfume velho
de quem já era velho por natureza e já nem precisava
de essência alguma pra demonstrar que a morte vinha vindo;
impregnava no lóbulo da orelha e vinha descendo,
transpirando pela pele desidratada.
eu percorria essa pele com meus dedos sujos;
o que refletia nos olhos castanhos era apenas a clareza
de quem só via sentido na existência de alguém que já estava
por não existir
ainda que forte, lúcida, incansável
aquele corpo tão corajoso que sempre bateu de frente com
o maior dos muros de tijolos não-revestidos.
eu sinto muito por ter medido cada palavra
e por ter percorrido novamente aquela rua de paralé
sempre no mesmo sentido para dar, numa última chance,
uma alegria última que fosse,
mas que era clara a não-intenção de ter sido intencional
essa parada súbita
essa ida inesperada
que me pegou em cheio como um toque de uma mão lisa
nas minhas pálpebras
e encostou nos cílios e fechou meus olhos
pra que eu dormisse junto
e morresse junto
pra sempre.
05 julho, 2016
asco
não me diga o que fiz, o que faço, o que tenho que fazer.dizer que ama é plausível e dizer que vai amar é só um trote
que você já me passou.
se não saber o que sou é não saber o que vejo
não me diga que o que não vejo é sagrado.
meu corpo é profano, largo, sentido
e você já me conhece.
não diga que vacilei a voz, que gaguejei teu nome
tua arte é saber cuspir além de quem passa por baixo do prédio
que eu sempre passei.
não me mostre essa cara por esse feixe de luz
de quem não vive nada e sempre envelhece
de quem consome carne nova e mal passada.
seria muito mais digno perturbar e confrontar um asco
e adoecer os sete chakras
que me agachar pra te devolver esse aperto de mão.
não trate meu sexo como artificial, translúcido, seco.
eu só economizo as minhas bordas
se for você que eu encontrar em cada esquina.
não é saudável me transpor nesse caminho
onde te vejo alargar as calças e roubar virgindades
onde te vejo pisando e pisando e pisando
na própria roupa roubada de alma corrompida.
é a última vez que peço pra largar os meus bolsos
e se valer apenas de quase ter tocado a minha pele
antes que eu me escandalize com teu cheiro de vetor de doença
e perca o sono, esperando a próxima vez.
15 maio, 2016
Ele prefere a Heineken
foi tão grave quanto o tom da tua voz
meio tonta eu vi também
teu óculos manchado de água salobra.
Eu quis chorar junto
por ter sido tão depressa
que você se desandou
que se doeu por dentro
por ter pedido que o trem
levasse as tuas pernas.
Ela não merece que você
se dobre inteiro
só por ter te deixado
ouvindo o Lennon sozinho
e ter soltado a tua mão.
Que descuido
se deixar tão amarrado
a quem carrega canivete no vestido,
dá pra continuar correndo o risco
de se ferir?
A saudade corrói
porque foi agora que tua cabeça
se chocou contra a parede
mas vai dormir mais cedo, menino,
vai beijar a própria mão,
se escandalizar diante da bagunça
que parece estar teu coração.
Coragem.
Assinar:
Postagens (Atom)
