Um filete de areia na calcinha e o mar que anuncia:
estou no brilho.
A saia verde e minha boca coçando você beija
O espanto na cara e meu lóbulo cansado você beija
Os sulcos na pele e mais sulcos na minha pele você beija
Dorme, eu ouço.
Os ombros colados e uma cócega na vulva
pra que me faça perder o medo
E eu afronte minha casa.
Assim te amo. Como correr na praia
a água morna forrando o corpo, a pele secando no sol.
O silêncio das tuas mãos e um dedo que desce bonito
Umidifica meu cansaço, me alimenta
Me sucumbe a um desejo antigo de ser comida
Aroeira, serralha, flor-de-pincel
Te amo nos poros e nos vultos: a palavra envolta no
tempo. Te amo no susto de não ser amor talvez
outra coisa
Uma saliva vazando da boca
atrapalhando acanhamentos.
Porque te amo tateio essa língua
que faz uma mulher prender nos dedos um mói de lençol.
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09 janeiro, 2019
04 julho, 2018
saber ouvir teu nome
para andressa
queimar-me como uma mulher queima em cinzeiro
te toco pra te achar bonita
enquanto a luz encadear minha cegueira.
de tudo que me ofereces, aceito um par de meias
pra me livrar do frio que carrego.
embora eu me recolha na tua casa, me ame na rua. me ame
no asfalto e nas rachaduras da parede. me ame enquanto os carros passam
e a pedra vire areia e a areia vire pó.
segurarei firme o teu cabelo, porque se lê queratina a minha urgência
conforme eu me recolho na tua casa.
e me olhe amena, porque tu me tens exausta.
teu nome segue baixo e sonoro na minha boca.
quero saber se me acharias fácil em meio às tuas coisas. potinhos de páprica
sabonetes de argila. rolos de linha. plantas, panelas, passos
me busca na tua colcha cor-de-rosa, me tira pra dançar
e eu gritarei teu nome de garganta inflamada
de forma que eu me recolha na tua casa
e faça parte do que é vivo dentro dela.
mas você me olha e eu sinto que há algo de bonito em toda miudez
de todo aspecto agrilhoado dos meus pés a uma pedra
que a escada é pouca e eu subiria mais
que eu tenho fome de quando tua cara é palpável, muito além
de um holograma insípido e nervoso.
muito além de beijos na grade
e tremores de pernas na cerâmica, espocam
e eu arranho as tuas costas pra que desmonte
nesse real e minúsculo braço onde repouso a cabeça.
queimar-me como uma mulher queima em cinzeiro
te toco pra te achar bonita
enquanto a luz encadear minha cegueira.
de tudo que me ofereces, aceito um par de meias
pra me livrar do frio que carrego.
embora eu me recolha na tua casa, me ame na rua. me ame
no asfalto e nas rachaduras da parede. me ame enquanto os carros passam
e a pedra vire areia e a areia vire pó.
segurarei firme o teu cabelo, porque se lê queratina a minha urgência
conforme eu me recolho na tua casa.
e me olhe amena, porque tu me tens exausta.
teu nome segue baixo e sonoro na minha boca.
quero saber se me acharias fácil em meio às tuas coisas. potinhos de páprica
sabonetes de argila. rolos de linha. plantas, panelas, passos
me busca na tua colcha cor-de-rosa, me tira pra dançar
e eu gritarei teu nome de garganta inflamada
de forma que eu me recolha na tua casa
e faça parte do que é vivo dentro dela.
mas você me olha e eu sinto que há algo de bonito em toda miudez
de todo aspecto agrilhoado dos meus pés a uma pedra
que a escada é pouca e eu subiria mais
que eu tenho fome de quando tua cara é palpável, muito além
de um holograma insípido e nervoso.
muito além de beijos na grade
e tremores de pernas na cerâmica, espocam
e eu arranho as tuas costas pra que desmonte
nesse real e minúsculo braço onde repouso a cabeça.
12 junho, 2018
C.
automaticamente pensar em você
e nascer de um plástico como se nasce de um saco escrotal
porque C. não sabe
que por exemplo as sobrancelhas guardam o suor todo da testa
e por isso eu as descabelo inteiras
na tentativa de obstrução, abstração, vínculo
arreganho, plena
desconheço a tua força
e por isso eu interajo, fluída, no que resta do teu sono.
não tenho culpa de ser triste.
meu processo ter sido homem
porque eu não tenho paz e eu não tenho físico e eu não tenho palavra.
não importa se no dia triste como esse domingo de maio
você me diga que eu não fui nada além de um mosqueiro
e que eu sou frágil demais pra tentar te proteger de alguma coisa
eu apenas acenaria com a cabeça
já não importa se eu pareço um homem descalço de dedos curtos
acenando pra uma mulher como se ela fosse um conhecido distante na rua
e eu repousasse sobre as suas pernas na indignação de parecer que sofro
eu não sinto mais medo da morte
das paixões que carrego na bolsa
verdinha que eu acabei de comprar.
repousei num momento de espanto e alívio
automaticamente pensei em você
mas são muitos tantos os amores molhados que a gente enxuga.
e hoje eu sento. e choro. e faço do teu nome escândalo. cúpula.
não tive consciência alguma do poder que teve
a mulher nociva que você também foi
no parapeito imenso e insoso e intenso
desse sopro.
e nascer de um plástico como se nasce de um saco escrotal
porque C. não sabe
que por exemplo as sobrancelhas guardam o suor todo da testa
e por isso eu as descabelo inteiras
na tentativa de obstrução, abstração, vínculo
arreganho, plena
desconheço a tua força
e por isso eu interajo, fluída, no que resta do teu sono.
não tenho culpa de ser triste.
meu processo ter sido homem
porque eu não tenho paz e eu não tenho físico e eu não tenho palavra.
não importa se no dia triste como esse domingo de maio
você me diga que eu não fui nada além de um mosqueiro
e que eu sou frágil demais pra tentar te proteger de alguma coisa
eu apenas acenaria com a cabeça
já não importa se eu pareço um homem descalço de dedos curtos
acenando pra uma mulher como se ela fosse um conhecido distante na rua
e eu repousasse sobre as suas pernas na indignação de parecer que sofro
eu não sinto mais medo da morte
das paixões que carrego na bolsa
verdinha que eu acabei de comprar.
repousei num momento de espanto e alívio
automaticamente pensei em você
mas são muitos tantos os amores molhados que a gente enxuga.
e hoje eu sento. e choro. e faço do teu nome escândalo. cúpula.
não tive consciência alguma do poder que teve
a mulher nociva que você também foi
no parapeito imenso e insoso e intenso
desse sopro.
15 março, 2018
o dedo que me penetra
o dedo que me penetra não tem nome
é cálido som puro, estatueta de mármore e pedra.
escorrego,
porque lapidou-se o que em K. era nítida rocha bruta
olho para o meu estômago com teu pedaço de unha dentro
como as espinhas de peixe que um dia engoli,
tendo sempre o vômito verde-mostarda.
não acredito que isso que você quer achar
queira ser visto numa colonoscopia:
é gastura simples. pedaços de amina e merda.
e fogo-fátuo, rastros de tesão e fuga
te amo como as tarântulas e as begônias e os rochedos ao redor do rio
porque sei que me esquivo da tua pele de corte de peixeira
e te ver sentir enjoo do peso exaustivo da minha sombra
interfere na minha ganância de ser palácio e estábulo ao mesmo tempo.
não ache que é por você que choro
enquanto meu cabelo cheira a gasolina e óleo dísel.
há a loucura que tento esconder de K.
se a tenho como tenho toda gente que comi, ferina
deixando meu canino pregado em cada coxa preta
o dedo que me penetra não tem nome
é viga suspensa. ferida de queda de cavalo.
e fazer do cigarro a imagem de pessoa distraída
poder encostar no limbo, saber que o limbo cresce
sob teus olhos, a cama. a prece. o desejo. somam-se
inúteis no 1/11 avos do teu espaço-tempo. calejada,
eu te somo a mim, teu puro sangue gasto de rainha.
o dedo que me penetra tem nome
mas eu não sei qual é.
é cálido som puro, estatueta de mármore e pedra.
escorrego,
porque lapidou-se o que em K. era nítida rocha bruta
olho para o meu estômago com teu pedaço de unha dentro
como as espinhas de peixe que um dia engoli,
tendo sempre o vômito verde-mostarda.
não acredito que isso que você quer achar
queira ser visto numa colonoscopia:
é gastura simples. pedaços de amina e merda.
e fogo-fátuo, rastros de tesão e fuga
te amo como as tarântulas e as begônias e os rochedos ao redor do rio
porque sei que me esquivo da tua pele de corte de peixeira
e te ver sentir enjoo do peso exaustivo da minha sombra
interfere na minha ganância de ser palácio e estábulo ao mesmo tempo.
não ache que é por você que choro
enquanto meu cabelo cheira a gasolina e óleo dísel.
há a loucura que tento esconder de K.
se a tenho como tenho toda gente que comi, ferina
deixando meu canino pregado em cada coxa preta
o dedo que me penetra não tem nome
é viga suspensa. ferida de queda de cavalo.
e fazer do cigarro a imagem de pessoa distraída
poder encostar no limbo, saber que o limbo cresce
sob teus olhos, a cama. a prece. o desejo. somam-se
inúteis no 1/11 avos do teu espaço-tempo. calejada,
eu te somo a mim, teu puro sangue gasto de rainha.
o dedo que me penetra tem nome
mas eu não sei qual é.
13 março, 2018
antes de construir às margens de uma rodovia
antes de construir às margens de uma rodovia
uma mulher precisa ouvir seu marido que
precisa comprar um terreno e que este dê verduras
essas verduras precisam ser carregadas por um caminhão
um caminhão que seja guiado por jesus
antes de construir às margens de uma rodovia
uma mulher precisa ouvir seu marido que
precisa contatar a autarquia e a autarquia dar suas ordens
com seus devidos apitos na garganta
esta deve estar seca de dunhill
antes de construir às margens de uma rodovia
uma mulher precisa ouvir seu marido que
precisa de mais meia hora de sono
e depois poder beijar todo mundo na boca
como fazem esses bons senhores dessas faixas de domínio
e esta precisa ter uma rodovia amplamente facetada
e ela poder escrever na calçada "nosso amor
é passível de inclinações"
antes de construir às margens de uma rodovia
uma mulher precisa ouvir seu marido que
precisa solicitar um alinhamento e este
se o governo quiser não decepcionará a família
a família de um homem só
e poder pensar no direito de ir embora
como um rio que corre
antes de construir às margens de uma rodovia
uma mulher precisa parar
de ouvir seu marido.
uma mulher precisa ouvir seu marido que
precisa comprar um terreno e que este dê verduras
essas verduras precisam ser carregadas por um caminhão
um caminhão que seja guiado por jesus
antes de construir às margens de uma rodovia
uma mulher precisa ouvir seu marido que
precisa contatar a autarquia e a autarquia dar suas ordens
com seus devidos apitos na garganta
esta deve estar seca de dunhill
antes de construir às margens de uma rodovia
uma mulher precisa ouvir seu marido que
precisa de mais meia hora de sono
e depois poder beijar todo mundo na boca
como fazem esses bons senhores dessas faixas de domínio
e esta precisa ter uma rodovia amplamente facetada
e ela poder escrever na calçada "nosso amor
é passível de inclinações"
antes de construir às margens de uma rodovia
uma mulher precisa ouvir seu marido que
precisa solicitar um alinhamento e este
se o governo quiser não decepcionará a família
a família de um homem só
e poder pensar no direito de ir embora
como um rio que corre
antes de construir às margens de uma rodovia
uma mulher precisa parar
de ouvir seu marido.
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Eu (quando me vejo),
O que se deu em algum momento,
Poesias
19 fevereiro, 2018
presságio
te amar como um projeto de míssil
alvos se mostram prontos meu digníssimo silêncio
te estourar os ossos
fazer da morte um presságio
tenho baba de homem na boca
de quem perdi metade de meu desejo
e continua o que de vivo sobrou meu tempo:
na boca dessa menina apenas sinta a saliva
que ofereço.
alvos se mostram prontos meu digníssimo silêncio
te estourar os ossos
fazer da morte um presságio
tenho baba de homem na boca
de quem perdi metade de meu desejo
e continua o que de vivo sobrou meu tempo:
na boca dessa menina apenas sinta a saliva
que ofereço.
14 fevereiro, 2018
cintilantes. volúveis. fieis.
a vitor, jean e cecília
estando em meio a tantos corpos magrelos eu não me importo
que os ossos de algum de vocês me perfure a costela
e eu varreria tua casa com meu arrastar de chinelo
devagar, porque não costumo andar em linha reta
e me borda os calcanhares, não tenho medo
e num relance de escadas, em meio às cavalgadas cirsenses
eu te chamaria de potro, meu esbelto potro
te pediria que me lançasse longe
por uma morte que não é ferida por uma ferida que não arranhe
meu menino me é quase como uma dama de vermelho
que tem areia no batom que espera constantemente pelos touros
podem ver, por esses óculos, o rapaz bonito que eu tô vendo?
depois me fazer escandalizar no coração desses meninos
por você eu estaria sendo eternamente confeccionada
como se tivesse cheia apenas de presença em que tudo é processo
tua calça estampada que se confunde nesse estofado
não importa se pareço vestida
me movimento com os dedos tua falange esbranquiçada
posso desfilar onipresente nas peles finas que habito
e assim te presenteio com os dedos de esmalte
mas você constatou que de tudo ficou um pouco do meu desejo. do teu vazio
@ me entrelaça os dedos me deixa perplexa
me abraçou forte, meu pintor de parede
[se tua casa fosse ninho pro meu antro]
onde vejo um desenho do roberto carlos olhando pra cima
a jovem guarda me é um mistério e eu ouço
hojendia só o solo da tua guitarra
hojendia só a falta de sincronização
hojendia só a queda dos meninos jogando bola
aqui, agora
nada mudará o fato de que eu ainda terei que pegar o próximo ônibus
23 janeiro, 2018
ser mais bicho que silêncio
depois de alguns anos morando sozinha
a crosta das coisas estáveis desmoronam em rápidos segundos
e eu me torno mais densa
esse grito que dou na sua cara se torna mais denso
sorte sua o banho de piscina ter te tirado a audição
e no colo das coisas tangíveis eu localizo uma flor
porque tudo que posso tocar não me é viável
eu permaneço intacta
você não me toca
mas como eu disse pra você num dia de primeiro quarto crescente
que minhas ideias novas não surgem de discursos livres
eu apenas lembrei de uma fala, não era uma constatação
e eu pude ver em seu rosto o medo da liberdade
porque ser livre justificaria minhas ações
e nós prometemos não falar sobre isso
não acabe com o meu nome riscando-o no seu braço com essa caneta
eu gosto quando você fala
e poder ouvir meu nome na sua boca é o toque que eu não sinto
você percebe o quanto tira de mim aquilo que eu não tenho?
você me diz que eu só vivo num mundo paralelo
onde aparentemente é mais viável ser mais bicho que silêncio
e eu só acredito no corpo
o corpo é tudo
e no limbo que é a arquitetura média desse quarto
depois de alguns longos anos morando sozinha
eu poderia usar dessa máquina de lavar para aliviar minha frustração
lembrando daquele filme pernambucano que você me mostrou
quando conversávamos sobre o cinema de recife
e parecia sempre perto do dia 25 no calendário lunar
éramos eu você essa flor e essa lua
vendo uma mulher se masturbando enquanto lavava roupa
não tenho medo, nunca, jamais, da solidão
é só que eu não aguento
depois que você resolveu vir morar comigo
e eu preenchi a minha casa com metade do seu vazio
vi que é melhor não ter a ter e ter que perder de novo
e é por isso que eu grito crua na sua cara
e peço que você vá embora
a crosta das coisas estáveis desmoronam em rápidos segundos
e eu me torno mais densa
esse grito que dou na sua cara se torna mais denso
sorte sua o banho de piscina ter te tirado a audição
e no colo das coisas tangíveis eu localizo uma flor
porque tudo que posso tocar não me é viável
eu permaneço intacta
você não me toca
mas como eu disse pra você num dia de primeiro quarto crescente
que minhas ideias novas não surgem de discursos livres
eu apenas lembrei de uma fala, não era uma constatação
e eu pude ver em seu rosto o medo da liberdade
porque ser livre justificaria minhas ações
e nós prometemos não falar sobre isso
não acabe com o meu nome riscando-o no seu braço com essa caneta
eu gosto quando você fala
e poder ouvir meu nome na sua boca é o toque que eu não sinto
você percebe o quanto tira de mim aquilo que eu não tenho?
você me diz que eu só vivo num mundo paralelo
onde aparentemente é mais viável ser mais bicho que silêncio
e eu só acredito no corpo
o corpo é tudo
e no limbo que é a arquitetura média desse quarto
depois de alguns longos anos morando sozinha
eu poderia usar dessa máquina de lavar para aliviar minha frustração
lembrando daquele filme pernambucano que você me mostrou
quando conversávamos sobre o cinema de recife
e parecia sempre perto do dia 25 no calendário lunar
éramos eu você essa flor e essa lua
vendo uma mulher se masturbando enquanto lavava roupa
não tenho medo, nunca, jamais, da solidão
é só que eu não aguento
depois que você resolveu vir morar comigo
e eu preenchi a minha casa com metade do seu vazio
vi que é melhor não ter a ter e ter que perder de novo
e é por isso que eu grito crua na sua cara
e peço que você vá embora
12 dezembro, 2017
do baixo dos prédios
olhando aqui por baixo teu olhar xamânico
vezenquando permanece vivo o negro petróleo nas narinas
e eu penso que rapé é uma miragem
uma visão de necrotério
e eu penso que sou ciente. sou solúvel.
deixando meus pés descalços nas camadas finas de sal grosso
estaríamos você e eu monocromáticos
traindo nossa vila, nossa bandeira
e aqui de cima eu penso na depressão de quem olha pra baixo
vou saber das marcas únicas de sapato
eficiente olhar confuso em desvendar verniz.
descobri que tudo racha
talvez se salve os lábios de gloss brilhoso
a cidade não protege quem não olha pra frente
e fica preso em seu pequeno sabor de hollyood
o peso que sinto sobre você é porque verifico pulmões
e eu não quero que morra
a minha menina.
pensando em escalar paredes eu desenvolvi esse apreço
vivo contínua. perplexa. saturada.
e esse prédio tirando minha vista eu não me conformo
por isso eu escalo paredes
por isso eu atrapalho o sinal da tv de vocês.
me prendi meticulosa nos teus calcanhares
porque aqui de baixo você parecia um bicho e teu cabelo se formou laranja
mas você não sabe escalar prédios
e eu caí.
aqui deitada nessa calçada eu penso que tenho um corpo selvagem
igual aos meninos de cabelo solto que se desmancham
em tantos e tantos pedaços de naturalismo
e que tudo em mim não me agrada
acho que sou um homem
, desculpa.
mas eu não posso saciar a fragilidade dos outros
e me expressar como um indivíduo desconstruído
eu sentiria saudade de mim
do eu confuso.
vezenquando permanece vivo o negro petróleo nas narinas
e eu penso que rapé é uma miragem
uma visão de necrotério
e eu penso que sou ciente. sou solúvel.
deixando meus pés descalços nas camadas finas de sal grosso
estaríamos você e eu monocromáticos
traindo nossa vila, nossa bandeira
e aqui de cima eu penso na depressão de quem olha pra baixo
vou saber das marcas únicas de sapato
eficiente olhar confuso em desvendar verniz.
descobri que tudo racha
talvez se salve os lábios de gloss brilhoso
a cidade não protege quem não olha pra frente
e fica preso em seu pequeno sabor de hollyood
o peso que sinto sobre você é porque verifico pulmões
e eu não quero que morra
a minha menina.
pensando em escalar paredes eu desenvolvi esse apreço
vivo contínua. perplexa. saturada.
e esse prédio tirando minha vista eu não me conformo
por isso eu escalo paredes
por isso eu atrapalho o sinal da tv de vocês.
me prendi meticulosa nos teus calcanhares
porque aqui de baixo você parecia um bicho e teu cabelo se formou laranja
mas você não sabe escalar prédios
e eu caí.
aqui deitada nessa calçada eu penso que tenho um corpo selvagem
igual aos meninos de cabelo solto que se desmancham
em tantos e tantos pedaços de naturalismo
e que tudo em mim não me agrada
acho que sou um homem
, desculpa.
mas eu não posso saciar a fragilidade dos outros
e me expressar como um indivíduo desconstruído
eu sentiria saudade de mim
do eu confuso.
08 dezembro, 2017
você poderia, por favor, permanecer na janela?
tateias, cega, o ventre frágil de um bicho
olhas pra mim, tenho cara de subversiva?
tenho na língua algum gosto de vingança?
não verei chances em peles pretas
não verei suor como lubrificante
é o que vejo a rede balançando em silêncio
porque há algo de exaustivo em ouvir a própria voz
e por isso os escândalos
e por isso a rouquidão
tateias, indiferente, a nuca flácida de um bicho
a transa rápida se deve aos vários homens
mas nós temos o nosso próprio ritmo
nossas notas dissonantes
e busco alívio na mão que pesa
em minhas coxas tua unha é só miragem
mas eu sinto
tateias, cativante, o solo úmido de um bicho
são teus passos maciços sobre meu eterno cansaço
pra eu poder pedir pra rua que me encara amarga
mais olfato que visão
porque eu não tenho mais o mesmo rosto
e eu não percebo mais os mesmo rostos
eu não enxergo ninguém
tateias, paciente, o colo raso de um bicho
eu te veria tão bonita comentando filme mudo
que eu só me calo
sinto um peso breve quieto em minhas coxas
é você dando pausa
é que eu não posso deixar que façam casa na minha cabeça
eu te diria que não faça casa na minha cabeça
não agora
olhas pra mim, tenho cara de subversiva?
tenho na língua algum gosto de vingança?
não verei chances em peles pretas
não verei suor como lubrificante
é o que vejo a rede balançando em silêncio
porque há algo de exaustivo em ouvir a própria voz
e por isso os escândalos
e por isso a rouquidão
tateias, indiferente, a nuca flácida de um bicho
a transa rápida se deve aos vários homens
mas nós temos o nosso próprio ritmo
nossas notas dissonantes
e busco alívio na mão que pesa
em minhas coxas tua unha é só miragem
mas eu sinto
tateias, cativante, o solo úmido de um bicho
são teus passos maciços sobre meu eterno cansaço
pra eu poder pedir pra rua que me encara amarga
mais olfato que visão
porque eu não tenho mais o mesmo rosto
e eu não percebo mais os mesmo rostos
eu não enxergo ninguém
tateias, paciente, o colo raso de um bicho
eu te veria tão bonita comentando filme mudo
que eu só me calo
sinto um peso breve quieto em minhas coxas
é você dando pausa
é que eu não posso deixar que façam casa na minha cabeça
eu te diria que não faça casa na minha cabeça
não agora
02 dezembro, 2017
poema para incentivar o coração não preenchido
para cecília
eu prometo te beijar sem esse cheiro de cigarro
que vem queimando meu bolso de trás
e sujando minhas calças brancas de tecido sedoso
não tenho no lábio gosto algum criança
pra poder sentir o seu direito
foi te chamando pra um samba gostoso na rio branco
que eu deixei minhas pernas bambearem soltas
e a voz do cartola no ouvido me soou verdadeiro
te escrevo pés descalços gozo sinuoso pra que me entenda, bem
me aproximo calma com o dedo sujo de tinta
eu não fico de olho nos meninos morenos de cabelo grande
eu só ouço uns tal de lo-fi como se ouvisse a nona sinfonia
continuo te vendo de chapada na roda apesar de tudo
e mesmo se você me dissesse adeus num grafite pra que eu não esquecesse
eu só conseguiria te dizer como é desconcertante
com você no meu braço eu não teria medo da câimbra
e que você não tenha medo também de pousar sobre minhas veias portanto
não me baste aos sábados como se eu não vivesse os dias todos
inaugurando os espaços que não nos cabem
pelo menos não espremendo limões
e poder te chamar de avenue des ternes
ou talvez saint-honoré
e te deixar fazer carinho no meu pequeno ventre
com um gosto sutil que eu quero no meu braço
travestido de 51
eu prometo te beijar sem esse cheiro de cigarro
que vem queimando meu bolso de trás
e sujando minhas calças brancas de tecido sedoso
não tenho no lábio gosto algum criança
pra poder sentir o seu direito
foi te chamando pra um samba gostoso na rio branco
que eu deixei minhas pernas bambearem soltas
e a voz do cartola no ouvido me soou verdadeiro
te escrevo pés descalços gozo sinuoso pra que me entenda, bem
me aproximo calma com o dedo sujo de tinta
eu não fico de olho nos meninos morenos de cabelo grande
eu só ouço uns tal de lo-fi como se ouvisse a nona sinfonia
continuo te vendo de chapada na roda apesar de tudo
e mesmo se você me dissesse adeus num grafite pra que eu não esquecesse
eu só conseguiria te dizer como é desconcertante
com você no meu braço eu não teria medo da câimbra
e que você não tenha medo também de pousar sobre minhas veias portanto
não me baste aos sábados como se eu não vivesse os dias todos
inaugurando os espaços que não nos cabem
pelo menos não espremendo limões
e poder te chamar de avenue des ternes
ou talvez saint-honoré
e te deixar fazer carinho no meu pequeno ventre
com um gosto sutil que eu quero no meu braço
travestido de 51
22 novembro, 2017
amor perda pânico armário soluço
eu só posso te ver com a mão no peito
me assegurando que minhas mãos são parede
teia. refúgio. cianeto de potássio.
que minhas mãos são ladeira
e que você pode descer
sem medo
tendo em vista o corpo todo e saber que ele é só uma máscara
escondendo o corpo que tem dentro
que esconde outro e talvez mais um embaixo
olhando bem pra dentro da sua primeira pele
onde há constâncias e regularidades
quando posso ver tua cabeça
teu peito longe de mim é o que menos importa
eu não consigo não correr o risco
porque tudo em mim é cada gesto sucumbido
história de selvageria transa mística que me atrevo a esquecer meu bem
não esqueço
a abelha que você manda pra longe
com um gesto de mão fechada
és aberta enfim só de corpo
e pra abrir você a gente usa aqueles serrotes com cabo de alumínio
saber que és toda autêntica e em si preliminar
só no teu rosto que a gente ver por um instante
a dor descendo dos cílios circenses
és aberta enfim só de corpo
e não fostes jamais veneno, agrotóxico. talvez a plantação.
e da tua árvore geneológica
só você conhece a vida
assim se as coisas que você pensa e sente
tem origem gesto explicação
mostre gesticule explique
por você ter no mesmo teto o fogo-fátuo
com aparência de gente de cabelos brancos
que da palavra adeus
eu só consigo ler desastre.
me assegurando que minhas mãos são parede
teia. refúgio. cianeto de potássio.
que minhas mãos são ladeira
e que você pode descer
sem medo
tendo em vista o corpo todo e saber que ele é só uma máscara
escondendo o corpo que tem dentro
que esconde outro e talvez mais um embaixo
olhando bem pra dentro da sua primeira pele
onde há constâncias e regularidades
quando posso ver tua cabeça
teu peito longe de mim é o que menos importa
eu não consigo não correr o risco
porque tudo em mim é cada gesto sucumbido
história de selvageria transa mística que me atrevo a esquecer meu bem
não esqueço
a abelha que você manda pra longe
com um gesto de mão fechada
és aberta enfim só de corpo
e pra abrir você a gente usa aqueles serrotes com cabo de alumínio
saber que és toda autêntica e em si preliminar
só no teu rosto que a gente ver por um instante
a dor descendo dos cílios circenses
és aberta enfim só de corpo
e não fostes jamais veneno, agrotóxico. talvez a plantação.
e da tua árvore geneológica
só você conhece a vida
assim se as coisas que você pensa e sente
tem origem gesto explicação
mostre gesticule explique
por você ter no mesmo teto o fogo-fátuo
com aparência de gente de cabelos brancos
que da palavra adeus
eu só consigo ler desastre.
Marcadores:
Eu (quando me vejo),
Miss lisergia,
O que se deu em algum momento,
Poesias
11 novembro, 2017
oi tô te ligando - parte 1
andei pensando se é verdade
que a gente se desfigura
não quero um lugar onde meus olhos estariam baixos demais
pra que eu te enxergue
ou minha boca muito inclinada
ou meus braços derretendo
suando numa ansiedade patológica
...
eu estaria finalmente sem condições de perceber você
e não acho que isso seja bom
...
foi como a marina disse
que o limite da arte é a perda da nossa consciência
porque a partir dali não poderíamos mais apresentá-la
você sabe de quem eu tô falando
...
imagina então se eu perder os sentidos
minha consciência
meus instintos
o que sobraria?
será que eu ainda perceberia a saudade?
a ausência?
...
é que me sinto meio que regredindo, saca?
voltando a ser esboço
daí não tenho mais todas as funções completas, certinhas
diante de você que eu não sei mais se está me ouvindo
...
talvez você me respondesse que perderíamos a consciência
sempre
com aquelas massas prensadas
com aquelas dores nas pernas e o suor
e na cabeça como que se as coisas cintilassem, eu lembro bem
e isso bastava, isso era tudo
mas não é disso que estou falando, pelo amor de deus
...
ainda ta aí?
eu espero.
que a gente se desfigura
não quero um lugar onde meus olhos estariam baixos demais
pra que eu te enxergue
ou minha boca muito inclinada
ou meus braços derretendo
suando numa ansiedade patológica
...
eu estaria finalmente sem condições de perceber você
e não acho que isso seja bom
...
foi como a marina disse
que o limite da arte é a perda da nossa consciência
porque a partir dali não poderíamos mais apresentá-la
você sabe de quem eu tô falando
...
imagina então se eu perder os sentidos
minha consciência
meus instintos
o que sobraria?
será que eu ainda perceberia a saudade?
a ausência?
...
é que me sinto meio que regredindo, saca?
voltando a ser esboço
daí não tenho mais todas as funções completas, certinhas
diante de você que eu não sei mais se está me ouvindo
...
talvez você me respondesse que perderíamos a consciência
sempre
com aquelas massas prensadas
com aquelas dores nas pernas e o suor
e na cabeça como que se as coisas cintilassem, eu lembro bem
e isso bastava, isso era tudo
mas não é disso que estou falando, pelo amor de deus
...
ainda ta aí?
eu espero.
30 outubro, 2017
fumaça sensação
para sarah
talvez você não saiba, mas uns animais pedem consolo no colo de outros
às vezes ombros, peitos, costelas
e às vezes se indignam. se frustram. se decepcionam.
com os olhos encostados na arquibancada de cima
estamos nós também, de cigarrinho aceso.
não me atrevo nesses dedos que permeiam o solo frágil
apesar de ter dedos que queimam, lábios apressados, fome
não quero te fazer dormir, criança louca
quero o gloss
os brincos de argola.
mas havia pós-punk e as bandas psicodélicas de goiânia
por hora, no entando, eu apenas ouço seu bater de pernas ao meu lado
ouvindo de mim sobre a carência dos animais
deixando clara a minha própria necessidade, meus anseios
que sejamos nós dentro dessa cidade apenas obstáculos
apenas fumaça sensação.
mas você falou que carregaria na cabeça alguém bonita como eu
acredito nos colóquios subversivos vindos de bocas cheias de vinho
acredito nos beijos com sabor de catuaba
e nas arquibancadas de cimento
eu deixo passar despercebidas as perturbações
e te beijo ciente do mundo.
talvez você não saiba, mas uns animais pedem consolo no colo de outros
às vezes ombros, peitos, costelas
e às vezes se indignam. se frustram. se decepcionam.
com os olhos encostados na arquibancada de cima
estamos nós também, de cigarrinho aceso.
não me atrevo nesses dedos que permeiam o solo frágil
apesar de ter dedos que queimam, lábios apressados, fome
não quero te fazer dormir, criança louca
quero o gloss
os brincos de argola.
mas havia pós-punk e as bandas psicodélicas de goiânia
por hora, no entando, eu apenas ouço seu bater de pernas ao meu lado
ouvindo de mim sobre a carência dos animais
deixando clara a minha própria necessidade, meus anseios
que sejamos nós dentro dessa cidade apenas obstáculos
apenas fumaça sensação.
mas você falou que carregaria na cabeça alguém bonita como eu
acredito nos colóquios subversivos vindos de bocas cheias de vinho
acredito nos beijos com sabor de catuaba
e nas arquibancadas de cimento
eu deixo passar despercebidas as perturbações
e te beijo ciente do mundo.
22 outubro, 2017
profundidade das coisas
ouça a placenta, ela dirá: o amor é absurdamente inviável. ele se verá em formas humanas, porque também é gente. mas late, entra no cio. esguicha água, molha plantações.
mas quando ele chegar, não escape.
veja. você verá, agora, que descanso.
eu tive medo, mas eu montei no mundo. eu controlei o guidom.
éramos fortes e eu pressupus que seríamos sempre, por que pra quê a eternidade senão o alívio?
e cansar devia-se ao mistério, à profundidade das coisas.
força pra aguentar esses dias que são loucos. esses dias fervem, garota. eles escapam.
e a menina roxa preta bege que não te quer de branco
ela sentirá o peso, lá, dentro da cabeça
não há amor que aguente à queda rasa.
mas quando ele chegar, não escape.
veja. você verá, agora, que descanso.
eu tive medo, mas eu montei no mundo. eu controlei o guidom.
éramos fortes e eu pressupus que seríamos sempre, por que pra quê a eternidade senão o alívio?
e cansar devia-se ao mistério, à profundidade das coisas.
força pra aguentar esses dias que são loucos. esses dias fervem, garota. eles escapam.
e a menina roxa preta bege que não te quer de branco
ela sentirá o peso, lá, dentro da cabeça
não há amor que aguente à queda rasa.
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Eu (quando me vejo),
O que se deu em algum momento,
Poesias
16 outubro, 2017
letárgica
soube que os homens se esgotaram
então o sexo é isso, meu bem, só isso?
soube da tristeza embaixo dos óculos
eu quase sinto desprezo
mas paro. olho.
e sinto desprezo por mim também
eu sinto ânsias. crateras. insurreições.
e nunca tenho na língua o que quero
depois a lobotomia, o estresse
meu corpo é uma órbita desconhecida
em meio as ruínas bonitas do meio-fio
a menina hermética me diz do ruído
choro porque a liberdade dói e sartre fala
do peso que é
existir
e ser mulher, ser ogra, artifício
ser gente e incomodar
como as ondas no céu da boca de um cachorro
ser sozinha, com o olhar estancado
e ainda assim te querer abaixo da unha
abaixo da sandália de coro
olhar a merda toda, a vida fodida, esgotada
te querer fraca
e longe de mim
e eu cansada, diluída no próprio poço que formei
me acaricio depois por medo do que falo
me vejo faltosa. límbica. letárgica.
fico à deriva, em desuso.
então o sexo é isso, meu bem, só isso?
soube da tristeza embaixo dos óculos
eu quase sinto desprezo
mas paro. olho.
e sinto desprezo por mim também
eu sinto ânsias. crateras. insurreições.
e nunca tenho na língua o que quero
depois a lobotomia, o estresse
meu corpo é uma órbita desconhecida
em meio as ruínas bonitas do meio-fio
a menina hermética me diz do ruído
choro porque a liberdade dói e sartre fala
do peso que é
existir
e ser mulher, ser ogra, artifício
ser gente e incomodar
como as ondas no céu da boca de um cachorro
ser sozinha, com o olhar estancado
e ainda assim te querer abaixo da unha
abaixo da sandália de coro
olhar a merda toda, a vida fodida, esgotada
te querer fraca
e longe de mim
e eu cansada, diluída no próprio poço que formei
me acaricio depois por medo do que falo
me vejo faltosa. límbica. letárgica.
fico à deriva, em desuso.
11 outubro, 2017
a sucção do contato, teus lábios resolvem tudo
te acordei no fim da tarde, a boca pastosa
eu tenho ânsias, crateras
segui descalça pelo apartamento e o piso quente
não é o amor que se digere, você me diz
ele permanece no esôfago
deixe que o amor permaneça lá, entalado
que rasgue a mucosa
te desproteja
foda com o próprio corpo antes que
eu tenho ânsias, crateras
segui descalça pelo apartamento e o piso quente
não é o amor que se digere, você me diz
ele permanece no esôfago
deixe que o amor permaneça lá, entalado
que rasgue a mucosa
te desproteja
foda com o próprio corpo antes que
eu
senti sua boca no fim de tarde, lânguida
gosto dos impulsos dos joelhos que tocam sozinhos o piso quente
e ajoelhar-se é quase um mantra
hermético
sensorial
fatídico
eu sei do blues que é ajoelhar-se pra você
do new wave que é
e você ri da minha cara pela relação estranha com a cerâmica
somos juntas uma espécie de contato interativo
co-existentes
você está lá, intermediando.
gosto dos impulsos dos joelhos que tocam sozinhos o piso quente
e ajoelhar-se é quase um mantra
hermético
sensorial
fatídico
eu sei do blues que é ajoelhar-se pra você
do new wave que é
e você ri da minha cara pela relação estranha com a cerâmica
somos juntas uma espécie de contato interativo
co-existentes
você está lá, intermediando.
não é o amor que desiste.
são os fins de tarde os pisos quentes os joelhos terrenos
em meio a soma das coisas, somos eu e você, instáveis
você sente falta de mim?
são os fins de tarde os pisos quentes os joelhos terrenos
em meio a soma das coisas, somos eu e você, instáveis
você sente falta de mim?
02 outubro, 2017
desobediência
não sei do cabelo que tive
nem do semblante que eu tinha:
é só a epifania
o que fica do que passa
quase tudo é um só demônio
enrustido
em vestes pela vidraça
porque eu me encontrei, mãe
nas peles finas que habito
ficar em mim
estar em mim
a desobediência
nem do semblante que eu tinha:
é só a epifania
o que fica do que passa
quase tudo é um só demônio
enrustido
em vestes pela vidraça
porque eu me encontrei, mãe
nas peles finas que habito
ficar em mim
estar em mim
a desobediência
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O que se deu em algum momento,
Poesias
26 setembro, 2017
serei eu repleta de inutilidades
possíveis erros. reestruturação das lembranças.
eu não serei, jamais, inquieta
diante do teu amor cansado. passivo. distante.
serei eu, portanto, cansada também.
homens nocivos me incriminam
sem facas, adegas, panos de prato, amor, amor
eu não tenho sequer um molho pronto pra jogar na cara de vocês.
sou alvo, desculpa, serei sempre alvo
e por isso tenho pressa de morrer em mãos exaustas.
quentes. calmas. mãos de mulher.
por isso me perdi tentando ver em você um deus
um deus ausente de espiritualidade
que me apontasse o caminho real da volta
pra ser plena e desfigurada.
não, não carrego em mim sonho algum
estou repleta de inutilidades
a escassez é o mundo e o mundo a escassez em si
você disse: perplexa. moldável.
eu sou o alívio:
inviável. insaciável. intransponível.
quase mitigada, te darei aos montes
o vazio das coisas.
eu sei que você estará aí. ambígua. polissêmica.
esperando minhas pernas bambearem, minhas asas se quebrarem ao meio.
mas não. não serei eu.
eu não serei, jamais, inquieta
diante do teu amor cansado. passivo. distante.
serei eu, portanto, cansada também.
homens nocivos me incriminam
sem facas, adegas, panos de prato, amor, amor
eu não tenho sequer um molho pronto pra jogar na cara de vocês.
sou alvo, desculpa, serei sempre alvo
e por isso tenho pressa de morrer em mãos exaustas.
quentes. calmas. mãos de mulher.
por isso me perdi tentando ver em você um deus
um deus ausente de espiritualidade
que me apontasse o caminho real da volta
pra ser plena e desfigurada.
não, não carrego em mim sonho algum
estou repleta de inutilidades
a escassez é o mundo e o mundo a escassez em si
você disse: perplexa. moldável.
eu sou o alívio:
inviável. insaciável. intransponível.
quase mitigada, te darei aos montes
o vazio das coisas.
eu sei que você estará aí. ambígua. polissêmica.
esperando minhas pernas bambearem, minhas asas se quebrarem ao meio.
mas não. não serei eu.
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Escritos inspirados em alguém,
Eu (quando me vejo),
Poesias
21 setembro, 2017
eu deito em cima de um corpo diferente
eu deito em cima de um corpo diferente
um corpo sem resistência, atrelado
não desperta com o espanto, permanece justo
e o toque new wave abatido
eu sinto o cheiro do algodão-doce azul
em fios de cabelo imersos
just like a woman
esquece os dedos dentro das calças
eu esqueci meu peso minha cabeça
eu esqueci o tumulto
porque a outra deixou um resquício de ruína
e eu quase choro naquele peito
com cara de morte
eu te falarei da escassez
a língua cansada manchada de preto ainda assim
é uma língua bonita
esperneada
ainda que quieta
dentro da boca
no entanto partir se confronta
ao ato de cuspir no outro
longe revela-se inalcançável
intransponível
e o ranço
o ranço predomina.
um corpo sem resistência, atrelado
não desperta com o espanto, permanece justo
e o toque new wave abatido
eu sinto o cheiro do algodão-doce azul
em fios de cabelo imersos
just like a woman
esquece os dedos dentro das calças
eu esqueci meu peso minha cabeça
eu esqueci o tumulto
porque a outra deixou um resquício de ruína
e eu quase choro naquele peito
com cara de morte
eu te falarei da escassez
a língua cansada manchada de preto ainda assim
é uma língua bonita
esperneada
ainda que quieta
dentro da boca
no entanto partir se confronta
ao ato de cuspir no outro
longe revela-se inalcançável
intransponível
e o ranço
o ranço predomina.
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