te amar como um projeto de míssil
alvos se mostram prontos meu digníssimo silêncio
te estourar os ossos
fazer da morte um presságio
tenho baba de homem na boca
de quem perdi metade de meu desejo
e continua o que de vivo sobrou meu tempo:
na boca dessa menina apenas sinta a saliva
que ofereço.
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19 fevereiro, 2018
22 novembro, 2017
amor perda pânico armário soluço
eu só posso te ver com a mão no peito
me assegurando que minhas mãos são parede
teia. refúgio. cianeto de potássio.
que minhas mãos são ladeira
e que você pode descer
sem medo
tendo em vista o corpo todo e saber que ele é só uma máscara
escondendo o corpo que tem dentro
que esconde outro e talvez mais um embaixo
olhando bem pra dentro da sua primeira pele
onde há constâncias e regularidades
quando posso ver tua cabeça
teu peito longe de mim é o que menos importa
eu não consigo não correr o risco
porque tudo em mim é cada gesto sucumbido
história de selvageria transa mística que me atrevo a esquecer meu bem
não esqueço
a abelha que você manda pra longe
com um gesto de mão fechada
és aberta enfim só de corpo
e pra abrir você a gente usa aqueles serrotes com cabo de alumínio
saber que és toda autêntica e em si preliminar
só no teu rosto que a gente ver por um instante
a dor descendo dos cílios circenses
és aberta enfim só de corpo
e não fostes jamais veneno, agrotóxico. talvez a plantação.
e da tua árvore geneológica
só você conhece a vida
assim se as coisas que você pensa e sente
tem origem gesto explicação
mostre gesticule explique
por você ter no mesmo teto o fogo-fátuo
com aparência de gente de cabelos brancos
que da palavra adeus
eu só consigo ler desastre.
me assegurando que minhas mãos são parede
teia. refúgio. cianeto de potássio.
que minhas mãos são ladeira
e que você pode descer
sem medo
tendo em vista o corpo todo e saber que ele é só uma máscara
escondendo o corpo que tem dentro
que esconde outro e talvez mais um embaixo
olhando bem pra dentro da sua primeira pele
onde há constâncias e regularidades
quando posso ver tua cabeça
teu peito longe de mim é o que menos importa
eu não consigo não correr o risco
porque tudo em mim é cada gesto sucumbido
história de selvageria transa mística que me atrevo a esquecer meu bem
não esqueço
a abelha que você manda pra longe
com um gesto de mão fechada
és aberta enfim só de corpo
e pra abrir você a gente usa aqueles serrotes com cabo de alumínio
saber que és toda autêntica e em si preliminar
só no teu rosto que a gente ver por um instante
a dor descendo dos cílios circenses
és aberta enfim só de corpo
e não fostes jamais veneno, agrotóxico. talvez a plantação.
e da tua árvore geneológica
só você conhece a vida
assim se as coisas que você pensa e sente
tem origem gesto explicação
mostre gesticule explique
por você ter no mesmo teto o fogo-fátuo
com aparência de gente de cabelos brancos
que da palavra adeus
eu só consigo ler desastre.
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18 setembro, 2017
fim de ciclo
hoje mais do que ontem, eu tenho pensado em azul
e não sei se intercalo as cores quentes se penso no seu sexo
feito borboleta de asas quebradas alguns
sentem medo da queda eu tenho medo do vento
que levou alguma coisa branda que eu via nos seus olhos deixei
quieto porque me alivia o soco na cara o deboche
quase inconsciente é o teu riso no canto da boca
que me esquece por que me esqueces se há tanto espaço na cabeça?
se há tanto fio condutor tantas veias tantos cílios que eu posso arrancar
por que me deixastes fria? e eu penso no azul
porque o céu levou as nuvens
e eu tenho um corpo aberto um lábio dolorido saudade óssea
o medo instintivo de não ver mexer teu orbicular do olho venho
estudando anatomia o corpo fala e eu entendi inteiramente
que o teu só quer silêncio
pensar como se fosses uma garrafa pet que eu poderia imprensar
contra os dentes levar comigo a língua tocando e é feito
coronário seus braços recobrindo os órgãos
de acordo com paul ekman não passa de medo tens medo de mim?
porque as coisas morrem e eu ouço seu bater de asas desesperado
o fogo dessas velas que apagas hoje é o teu fogo
eu sinto a fumaça quer viver sozinha
desculpa, eu esperava um incêndio
e não sei se intercalo as cores quentes se penso no seu sexo
feito borboleta de asas quebradas alguns
sentem medo da queda eu tenho medo do vento
que levou alguma coisa branda que eu via nos seus olhos deixei
quieto porque me alivia o soco na cara o deboche
quase inconsciente é o teu riso no canto da boca
que me esquece por que me esqueces se há tanto espaço na cabeça?
se há tanto fio condutor tantas veias tantos cílios que eu posso arrancar
por que me deixastes fria? e eu penso no azul
porque o céu levou as nuvens
e eu tenho um corpo aberto um lábio dolorido saudade óssea
o medo instintivo de não ver mexer teu orbicular do olho venho
estudando anatomia o corpo fala e eu entendi inteiramente
que o teu só quer silêncio
pensar como se fosses uma garrafa pet que eu poderia imprensar
contra os dentes levar comigo a língua tocando e é feito
coronário seus braços recobrindo os órgãos
de acordo com paul ekman não passa de medo tens medo de mim?
porque as coisas morrem e eu ouço seu bater de asas desesperado
o fogo dessas velas que apagas hoje é o teu fogo
eu sinto a fumaça quer viver sozinha
desculpa, eu esperava um incêndio
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19 agosto, 2017
suor choro esquecimento - parte 1
mais tarde eu deixarei que morra em mim o aspecto violento do teu rosto
ele hoje é quase como as teias que fazem e se desfazem ao longo de uma parede de cal
eu desapareceria para que desaparecesse junto os sois
veja bem: eu não sei que cara tem o atlântico
mas ainda assim eu me afogo.
olhar para trás é tão inútil quanto agarrar-se aos calcanhares de quem flutua
teu despejo é quase um cuspe
e viver como ciganos numa terra imóvel, preocupa-me
te tenho na cabeça como parte da pele, abaixo das sobrancelhas
e você não aparece no reflexo, como se não existisse
mas todos nós sabemos que está ali na guerra, ainda que exausta,
o amor debaixo da terra
junto às minhocas, se alimentando das folhas
permanece teu suor
como parte de um organismo.
tão sensato quanto deixar que morra em mim qualquer coisa viva
é deixar que permaneça a dor do parto
enquanto sangra a placenta,
dorme mais cedo o que é prematuro
e o sol gravado no teu rosto, desaparece.
e eu busco o gesto que doei aos centros
ficou qualquer coisa gelada que derrete muito lentamente
e os carbonos não ajudam.
não tema em mim o gosto do escândalo
eu sou quieta, como um lago
e meu grito sucumbe aos reflexos solares que você emite
e emite essa árvore genealógica
arrancada com machados
por essas mãos perplexas/suadas
onde deito a cabeça.
ele hoje é quase como as teias que fazem e se desfazem ao longo de uma parede de cal
eu desapareceria para que desaparecesse junto os sois
veja bem: eu não sei que cara tem o atlântico
mas ainda assim eu me afogo.
olhar para trás é tão inútil quanto agarrar-se aos calcanhares de quem flutua
teu despejo é quase um cuspe
e viver como ciganos numa terra imóvel, preocupa-me
te tenho na cabeça como parte da pele, abaixo das sobrancelhas
e você não aparece no reflexo, como se não existisse
mas todos nós sabemos que está ali na guerra, ainda que exausta,
o amor debaixo da terra
junto às minhocas, se alimentando das folhas
permanece teu suor
como parte de um organismo.
tão sensato quanto deixar que morra em mim qualquer coisa viva
é deixar que permaneça a dor do parto
enquanto sangra a placenta,
dorme mais cedo o que é prematuro
e o sol gravado no teu rosto, desaparece.
e eu busco o gesto que doei aos centros
ficou qualquer coisa gelada que derrete muito lentamente
e os carbonos não ajudam.
não tema em mim o gosto do escândalo
eu sou quieta, como um lago
e meu grito sucumbe aos reflexos solares que você emite
e emite essa árvore genealógica
arrancada com machados
por essas mãos perplexas/suadas
onde deito a cabeça.
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O que se deu em algum momento,
Poesias
14 agosto, 2017
enquanto escorro, teus dias chegam
Não te deixo correr a favor desses olhos tristes
porque me é saudável a ausência desses pés gelados
que me fariam irregular e diluída
no poço esclarecido desse tempo.
Sou eu deitada na areia, porque me fiz intacta na tua mão
sem domínio, sem escândalo, sem piúba queimando pulso
eu e a estrela da morte
faríamos da tua face a minha face
e dos teus escrúpulos os meus escrúpulos
deformados, como pretendias.
Na postura desse vento, teu corpo imerge solto
eu poderia escancarar teu ventre no auge do teu dia
te fazer encarar as velas e pedir à mim na tua frente
inteira então, embora duplamente esquecida
consumir os teus restos
entrando pelos pulmões.
A respeito do fastio gerado pelo tempo: terei eu sido amamentada?
Eu deixarei que durmas mais uma vez em posição fetal
que é o meu reflexo
eu deixarei dormir o amor em panos quentes
porque teu refluxo é a sensação de ter perdido em mim
a beleza desse colapso.
porque me é saudável a ausência desses pés gelados
que me fariam irregular e diluída
no poço esclarecido desse tempo.
Sou eu deitada na areia, porque me fiz intacta na tua mão
sem domínio, sem escândalo, sem piúba queimando pulso
eu e a estrela da morte
faríamos da tua face a minha face
e dos teus escrúpulos os meus escrúpulos
deformados, como pretendias.
Na postura desse vento, teu corpo imerge solto
eu poderia escancarar teu ventre no auge do teu dia
te fazer encarar as velas e pedir à mim na tua frente
inteira então, embora duplamente esquecida
consumir os teus restos
entrando pelos pulmões.
A respeito do fastio gerado pelo tempo: terei eu sido amamentada?
Eu deixarei que durmas mais uma vez em posição fetal
que é o meu reflexo
eu deixarei dormir o amor em panos quentes
porque teu refluxo é a sensação de ter perdido em mim
a beleza desse colapso.
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01 agosto, 2017
amor-fúria
depois eu fico olhando pra você como se fosse um poço. aqui, agora e depois, você de banho e rumo tomado. burguesinha eclética, o vermelho do meu sangue na cor da tua camisa, o preto fosco dos teus cílios na ponta dos meus dedos, meu corpo e teu corpo assim azul-montanha, carregado. aos homens que passam distraídos eu direi esse amor-fúria, o sufoco, gesto-medonho-enclausurado-que-é-essa-vontade-irremediavelmente-grotesca de tocar você, como se fosse uma dessas decorações de interiores. eu cuspo nessas beiras de buraco, gosto da palavra morte, e fico rondando pelas circunferências onde você fica, um tipo feito compasso. mexo no nódulo que é esse coração -e soluço, nunca sequer toque no meu ombro caso me encontre paralisada, estive assim na falta de coragem de acordar os músculos, não olhe pra mim, não me veja assim perplexa. eu nunca aguentei o peso do fim, é como dormir com búfalos. esse amor-fúria que senti por você, e que agora quase se esvai, de uma burrice escandalosa, me deixa a mercê da queda, da fragilidade da casca de um ovo. a saudade, esse estar sentenciado, e chorar quente todos os dias como se a febre fosse interna e talvez seja esses estados completamente convulsionais de saudade. pensar que coisa louca que é estar sozinho e lembrar que jamais estarei porque você está aqui dentro, provavelmente entre os pulmões.
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O que se deu em algum momento
23 julho, 2017
escândalos do dia e a falta de suporte
sou eu a incapacidade de falar enquanto vejo
diante de você um estranho que se assolou na minha cabeça
meu coração é um nódulo
e não responde às perguntas que faço em silêncio
você dorme hoje sem precisar abrir a boca
e esconder de mim os escândalos do dia
não poderia pôr as mãos no meu cabelo e sentir
a oleosidade que é dormir no sol
com você em outra dimensão que não esta
com as mesmas pernas abertas para o frio vento de agosto
que não eu
você está nessa cidade que cheira a pólvora
e eu me contento com seu cheiro misturado aos óleos de cozinha
deixe-me escrever como quero escrever assim afugentada
de você e do que eu achei que seria nós no centro do mundo
não acredito nessa boca que me cospe desculpas
ferir e magoar nem sempre são a mesma coisa mas
você fez ser igual
com sua postura de sereia me negando o mar
não quero acreditar que prestamos só no transe
sua falta de amor pesou demais dentro de mim
e eu não quero nunca mais me ver nesse formato
assim distante
assim exilado
assim febril.
diante de você um estranho que se assolou na minha cabeça
meu coração é um nódulo
e não responde às perguntas que faço em silêncio
você dorme hoje sem precisar abrir a boca
e esconder de mim os escândalos do dia
não poderia pôr as mãos no meu cabelo e sentir
a oleosidade que é dormir no sol
com você em outra dimensão que não esta
com as mesmas pernas abertas para o frio vento de agosto
que não eu
você está nessa cidade que cheira a pólvora
e eu me contento com seu cheiro misturado aos óleos de cozinha
deixe-me escrever como quero escrever assim afugentada
de você e do que eu achei que seria nós no centro do mundo
não acredito nessa boca que me cospe desculpas
ferir e magoar nem sempre são a mesma coisa mas
você fez ser igual
com sua postura de sereia me negando o mar
não quero acreditar que prestamos só no transe
sua falta de amor pesou demais dentro de mim
e eu não quero nunca mais me ver nesse formato
assim distante
assim exilado
assim febril.
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O que se deu em algum momento,
Poesias
14 maio, 2017
acho que tudo isso tem a ver com seu cabelo
desculpa, mas não acredito mais na grandeza dos dias
não acredito mais nessa espécie de amor que flutua sozinho
você poderia me falar do contraste entre as nossas pupilas
e será tão verdadeiro, mas eu não acreditarei mais
sinto que não há mais nada de grandioso pra que eu possa ficar rente
pois bem.
você existiu com a mesma presença de algo intimamente denso
que se nega a ser confiscado e permanece vivo
há só o resquício do amor
e a presença dos poemas.
muito provavelmente não me importo mais com a magnitude do seu bronzeado
você lembra o quanto era favorável a nós viver da mesma língua?
não sou eu que preciso parar de chorar
nem você que precisa parar de fingir que chora
preciso te dizer que o clima no meu país permanece instável
e com país quero dizer a geografia presente nos quatro cantos do meu lençol
o que me faz não querer substituir nunca essa espécie de encanto
que você deixou sem perceber
não sou eu que faço a guerra
mas apareço constantemente fornecendo as armas.
mas lembre-se que você nunca morrerá enquanto eu estiver carregada
é verdade que eu nunca soube te proteger
e é verdade também que eu nunca fiz parte desse teu ciclo de sobrevivência
se fizesse, você ainda estaria aqui.
quase não reconheço meu nome quando ele sai da sua boca
não sei porém se eu deixei de ouvir por segurança
ou se você deixou de falar porque não te favorece
não importa.
ou importa, as cabeças são tão confusas quanto suas mãos trêmulas.
você não vê, mas há um rio que corre
e não é mais o mesmo que corria entre as minhas pernas
de quando você resolvia se alimentar da minha pele
lembra o quanto era favorável a nós tornar-se algo único por metro quadrado?
não é só você, mas todo o conceito pós moderno de felicidade
é sobre tocar os lóbulos da orelha e sentir que está vivo
acho que tudo isso tem a ver com seu cabelo
e com a falta que ele faz no meu rosto.
não me importa quais os teus santos
mas que sejam eles os maiores possíveis
que seja sobrenatural
mas nunca breve
e que te enxerguem mesmo dentro de uma compota
que seja feliz feliz
muito feliz
odara.
não acredito mais nessa espécie de amor que flutua sozinho
você poderia me falar do contraste entre as nossas pupilas
e será tão verdadeiro, mas eu não acreditarei mais
sinto que não há mais nada de grandioso pra que eu possa ficar rente
pois bem.
você existiu com a mesma presença de algo intimamente denso
que se nega a ser confiscado e permanece vivo
há só o resquício do amor
e a presença dos poemas.
muito provavelmente não me importo mais com a magnitude do seu bronzeado
você lembra o quanto era favorável a nós viver da mesma língua?
não sou eu que preciso parar de chorar
nem você que precisa parar de fingir que chora
preciso te dizer que o clima no meu país permanece instável
e com país quero dizer a geografia presente nos quatro cantos do meu lençol
o que me faz não querer substituir nunca essa espécie de encanto
que você deixou sem perceber
não sou eu que faço a guerra
mas apareço constantemente fornecendo as armas.
mas lembre-se que você nunca morrerá enquanto eu estiver carregada
é verdade que eu nunca soube te proteger
e é verdade também que eu nunca fiz parte desse teu ciclo de sobrevivência
se fizesse, você ainda estaria aqui.
quase não reconheço meu nome quando ele sai da sua boca
não sei porém se eu deixei de ouvir por segurança
ou se você deixou de falar porque não te favorece
não importa.
ou importa, as cabeças são tão confusas quanto suas mãos trêmulas.
você não vê, mas há um rio que corre
e não é mais o mesmo que corria entre as minhas pernas
de quando você resolvia se alimentar da minha pele
lembra o quanto era favorável a nós tornar-se algo único por metro quadrado?
não é só você, mas todo o conceito pós moderno de felicidade
é sobre tocar os lóbulos da orelha e sentir que está vivo
acho que tudo isso tem a ver com seu cabelo
e com a falta que ele faz no meu rosto.
não me importa quais os teus santos
mas que sejam eles os maiores possíveis
que seja sobrenatural
mas nunca breve
e que te enxerguem mesmo dentro de uma compota
que seja feliz feliz
muito feliz
odara.
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08 maio, 2017
Olhos de despejo
Menina,
signo bruto frente à
precariedade dos homens.
Gosto amargo no queixo, sem notoriedade. Os sulcos do seu corpo eram fiéis às aberturas dos meus dedos. Sabíamos do poder do encaixe das fivelas e das unhas removíveis; éramos de terra e massa de modelar. A mulher do ciclo do ouro, cílios circenses, tímidos joelhos que agachavam em câmera lenta, lúcida. Pequena menina lúcida e ainda assim de pés gigantes, pavorosos em pedestal. Eu não tive direito àqueles olhos de despejo.
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O que se deu em algum momento
29 abril, 2017
26 abril, 2017
o ser e o não ser também da gente
quero que esqueça as nuances do meu signo
esqueça meus quadris curvilíneos
esqueça meus joelhos de pedra maciça
faça as pontas dos meus dedos aparecerem deformados na tua lembrança
sem cor sem cheiro sem líquido viscoso
aprenderei a não fazer mais diferença
quero que arranque da orelha qualquer resquício de língua molhada
passa a mão nas coxas e sente se algum cheiro permaneceu intacto
toca a tua boca e sente o próprio beijo
esqueça o contato dos meus dentes com tua pele ressecada
esquece que servi de hidratante
quero que esqueça o sexo
mas lembra talvez das palavras em francês
do meu eu te amo no repeat sem pausa em volume baixo
de como teu rímel escuro me fez repensar a existência de um amor involuntário
com muita loucura e jamais breve
e alheia a isso, eu
com a saudade de antes e agora e sempre.
esqueça, portanto, meus poemas sobre as peles que arrancei da tua boca
e quando tudo parecer irreal aos teus olhos
e eu não mais aparecer diante das paredes do teu crânio,
ama-me de novo.
esqueça meus quadris curvilíneos
esqueça meus joelhos de pedra maciça
faça as pontas dos meus dedos aparecerem deformados na tua lembrança
sem cor sem cheiro sem líquido viscoso
aprenderei a não fazer mais diferença
quero que arranque da orelha qualquer resquício de língua molhada
passa a mão nas coxas e sente se algum cheiro permaneceu intacto
toca a tua boca e sente o próprio beijo
esqueça o contato dos meus dentes com tua pele ressecada
esquece que servi de hidratante
quero que esqueça o sexo
mas lembra talvez das palavras em francês
do meu eu te amo no repeat sem pausa em volume baixo
de como teu rímel escuro me fez repensar a existência de um amor involuntário
com muita loucura e jamais breve
e alheia a isso, eu
com a saudade de antes e agora e sempre.
esqueça, portanto, meus poemas sobre as peles que arrancei da tua boca
e quando tudo parecer irreal aos teus olhos
e eu não mais aparecer diante das paredes do teu crânio,
ama-me de novo.
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Poesias
23 abril, 2017
todas as flores que te dei morreram, mas isso é só um detalhe
vivo fingindo que sem você eu tô no lucro
as nossas testas nunca se encaixaram tão bem como no dia
em que o beijo não deu certo
as coisas todas passaram a não dar certo e não percebi
nem antes mesmo do toque perder o brilho
e a transa perder valor
mas o sol não secou o seu suor do meu ombro
por causa de você carrego certo cheiro que me desabilita
a ser autossuficiente
e a quase sempre me perceber não saindo de casa
pra manter seu suor em mim
não consigo mais te falar dos lugares bonitos sem chorar
faz sempre frio aqui dentro da farda de piloto
e os olhos lacrimejam com a possibilidade do mofo que
tua voz me causa quando atravessa o telefone
a possibilidade de estarmos envelhecendo não ajuda
me prometa nunca perder a afetividade pelos meu sorriso de cima
não há disfarce que funcione quando a luz incide dourada
e você me olha sem querer dizer o óbvio
juro nunca mais te beijar no queixo
não consigo mais sequer permanecer nele.
as nossas testas nunca se encaixaram tão bem como no dia
em que o beijo não deu certo
as coisas todas passaram a não dar certo e não percebi
nem antes mesmo do toque perder o brilho
e a transa perder valor
mas o sol não secou o seu suor do meu ombro
por causa de você carrego certo cheiro que me desabilita
a ser autossuficiente
e a quase sempre me perceber não saindo de casa
pra manter seu suor em mim
não consigo mais te falar dos lugares bonitos sem chorar
faz sempre frio aqui dentro da farda de piloto
e os olhos lacrimejam com a possibilidade do mofo que
tua voz me causa quando atravessa o telefone
a possibilidade de estarmos envelhecendo não ajuda
me prometa nunca perder a afetividade pelos meu sorriso de cima
não há disfarce que funcione quando a luz incide dourada
e você me olha sem querer dizer o óbvio
juro nunca mais te beijar no queixo
não consigo mais sequer permanecer nele.
20 abril, 2017
16 abril, 2017
amor adolescente
provavelmente não receberia um anel de flores de você
mas seus dedos foram a melhor coisa que
entrou pela minha boca e eu não vi
as idades se foram e eu nunca sequer fiz uma cabana
dói perceber lacunas depois que não há mais nada
a se fazer
e tudo parece chorar junto.
provavelmente eu esqueça que você não abriria
sua janela pra mim
eu jamais me atreveria a jogar pedrinhas pra quebrar seu sono
e atrapalhar o seu silêncio
pense em como foi pra mim absurdamente maravilhoso
te olhar turvo
e eu lembro que era sexta que chovia
que você não usava batom mas era quase isso
pelo vermelho do vinho.
você se lembraria, mesmo não querendo?
eu não sei se seus rímels dão de frente com o asfalto ou
se ainda sentem vontade
minha banda preferida acabou e você esqueceu de saber
muito provavelmente eu vou parar de descrever seu corpo
sua voz tornou-se mais evidente por aparecer quase nunca e
faria sentido gravar as coisas que você diz
pra parecerem mais reais?
não posso acreditar em quem não dança comigo.
mas seus dedos foram a melhor coisa que
entrou pela minha boca e eu não vi
as idades se foram e eu nunca sequer fiz uma cabana
dói perceber lacunas depois que não há mais nada
a se fazer
e tudo parece chorar junto.
provavelmente eu esqueça que você não abriria
sua janela pra mim
eu jamais me atreveria a jogar pedrinhas pra quebrar seu sono
e atrapalhar o seu silêncio
pense em como foi pra mim absurdamente maravilhoso
te olhar turvo
e eu lembro que era sexta que chovia
que você não usava batom mas era quase isso
pelo vermelho do vinho.
você se lembraria, mesmo não querendo?
eu não sei se seus rímels dão de frente com o asfalto ou
se ainda sentem vontade
minha banda preferida acabou e você esqueceu de saber
muito provavelmente eu vou parar de descrever seu corpo
sua voz tornou-se mais evidente por aparecer quase nunca e
faria sentido gravar as coisas que você diz
pra parecerem mais reais?
não posso acreditar em quem não dança comigo.
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31 março, 2017
arrepio
deitei minha cabeça no teu peso de existir
e ela afundou
não sei quando foi que perdi a verticalidade
e me afeiçoei aos teus pelos castanhos do peito
chorei ao encarar o desencontro das fivelas dos cintos
e ao perceber que meus poemas foram feitos pra sussurro
como as músicas da letuce
e o início dos dicionários
é possível lembrar da tua ânsia através dessa mão estendida
não tenho culpa de invejar os batons que você passa
e de viver o amor como se vive a asfixia
fechando a boca ao invés de tentar respirar
vivo apenas do contágio do seu bocejo
e quase nunca sinto que deveria dormir
já não gosto de como tua voz manipula os meus sentidos.
e ela afundou
não sei quando foi que perdi a verticalidade
e me afeiçoei aos teus pelos castanhos do peito
chorei ao encarar o desencontro das fivelas dos cintos
e ao perceber que meus poemas foram feitos pra sussurro
como as músicas da letuce
e o início dos dicionários
é possível lembrar da tua ânsia através dessa mão estendida
não tenho culpa de invejar os batons que você passa
e de viver o amor como se vive a asfixia
fechando a boca ao invés de tentar respirar
vivo apenas do contágio do seu bocejo
e quase nunca sinto que deveria dormir
já não gosto de como tua voz manipula os meus sentidos.
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24 março, 2017
sou eu antes e depois de você
ainda sinto o gosto daquele beijo na minha boca
como se eu te chamasse pra uma dança
que não usa os braços e você sorrisse por não saber
como se fosse fácil agachar-se e arrancar do solo
a raiz podre de uma planta
e sorrir também pra não ter que chorar nunca pela perda
sorrir quando você fica em silêncio diante do barulho do mundo
quando a falta de paredes denunciam nosso abraço
e é preciso soltá-lo assim de repente
sinto frio nos dedos e sei que não há corpo sequer em volta
não há sequer cheiro nem saliva grudada
e ainda que a mão trema e as pernas doam de saudade
ainda que eu continue cortando as unhas e usando preto
ainda que eu desenhe cachos e me imagine em círculos
você me aparece nuns sonhos borrados
e já parece velho
tento ler as bordas da tua boca e entender
quais os teus encantos que me faz coçar a língua
e esquecer das dúvidas
da iniciativa privada
e esquecer das dores e da tentiva de ingressar continuando viva
enquanto você me fala do possível esgotamento do amor
feito água que evapora e nos deixa inerte
e eu nunca sei se consigo acreditar
pelas marcas de anel no meu dedo que marcou de branco
posso te dizer que sou eu antes e depois de você
e penso em te beber quase sempre
e olhar hoje pras folhas verdes
e pensar em esperança e dizer
meu deus, que agonia que dá no corpo.
como se eu te chamasse pra uma dança
que não usa os braços e você sorrisse por não saber
como se fosse fácil agachar-se e arrancar do solo
a raiz podre de uma planta
e sorrir também pra não ter que chorar nunca pela perda
sorrir quando você fica em silêncio diante do barulho do mundo
quando a falta de paredes denunciam nosso abraço
e é preciso soltá-lo assim de repente
sinto frio nos dedos e sei que não há corpo sequer em volta
não há sequer cheiro nem saliva grudada
e ainda que a mão trema e as pernas doam de saudade
ainda que eu continue cortando as unhas e usando preto
ainda que eu desenhe cachos e me imagine em círculos
você me aparece nuns sonhos borrados
e já parece velho
tento ler as bordas da tua boca e entender
quais os teus encantos que me faz coçar a língua
e esquecer das dúvidas
da iniciativa privada
e esquecer das dores e da tentiva de ingressar continuando viva
enquanto você me fala do possível esgotamento do amor
feito água que evapora e nos deixa inerte
e eu nunca sei se consigo acreditar
pelas marcas de anel no meu dedo que marcou de branco
posso te dizer que sou eu antes e depois de você
e penso em te beber quase sempre
e olhar hoje pras folhas verdes
e pensar em esperança e dizer
meu deus, que agonia que dá no corpo.
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14 março, 2017
fluidez saudade pavimento
você conversa sobre capital externo
e sobre lubrificação vaginal
como quem joga pedrinhas no rio pra destruir a inércia
e eu penso sempre em permanecer quieto
pra que você me jogue pedras
e me movimente
há sempre o desvio da congruência
e o sol da linha do equador
com você do outro lado da linha de telefone fixo
sentindo o mesmo calor que eu
e a mesma excitação
querendo o toque que todos vivem e se consomem
querendo o básico
mas sem conseguir
e não te ver todos os dias
como eu vejo os resquícios da globalização
e a afirmação das identidades de gênero
no cronograma na tv no muro pichado
não te ver dançando debaixo de chuva
se contraponto à misofobia de uma virginiana
não te ver assistindo a paródias
e lendo sobre orgasmos múltiplos
já sabendo que eles existem
é o mesmo que não me ver também
como se não houvesse espelho
tento entender sobre nosso amor
e todo o conceito pós moderno
e sobre a fluidez que eu descartava
e que hoje me consome.
e sobre lubrificação vaginal
como quem joga pedrinhas no rio pra destruir a inércia
e eu penso sempre em permanecer quieto
pra que você me jogue pedras
e me movimente
há sempre o desvio da congruência
e o sol da linha do equador
com você do outro lado da linha de telefone fixo
sentindo o mesmo calor que eu
e a mesma excitação
querendo o toque que todos vivem e se consomem
querendo o básico
mas sem conseguir
e não te ver todos os dias
como eu vejo os resquícios da globalização
e a afirmação das identidades de gênero
no cronograma na tv no muro pichado
não te ver dançando debaixo de chuva
se contraponto à misofobia de uma virginiana
não te ver assistindo a paródias
e lendo sobre orgasmos múltiplos
já sabendo que eles existem
é o mesmo que não me ver também
como se não houvesse espelho
tento entender sobre nosso amor
e todo o conceito pós moderno
e sobre a fluidez que eu descartava
e que hoje me consome.
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Miss lisergia,
O que se deu em algum momento,
Poesias
12 março, 2017
reflexo do estado do meu corpo
é sobre seu toque essa secreção
é sobre sentir alívio e poder encostar a cabeça sem dormir
não sei quando efetivamente abri as pernas
nem desde quando engulo a seco
e esquento a água da bacia
não sei das infinidades que engasguei te desenhando
e fechando circunferências
mas eu sei que choro
sobre não haver vaga na janela e não poder te enxergar passando
sobre você brilhar em plenitude
em crepom dourado
e eu sentir sua boca nos meus dedos
e chorar porque estou viva e tudo dói demais
e tudo cresce enquanto abaixo a cabeça pra sentir seus cílios
eu poderia chorar pelas coisas se moverem
e eu aqui nessa inércia
me aproveitando do seu cheiro que impreguina na minha manga
eu poderia chorar pelo aspecto longo do seu cabelo
por perceber ele mudando gradativamente
e lembrar de quando doía menos
te ver abrir a boca pra falar meu nome
e te ver piscar os olhos pra me ver no escuro
e ainda
chorar, chorar compulsivamente
pelo mês que está por vir
é sobre sentir alívio e poder encostar a cabeça sem dormir
não sei quando efetivamente abri as pernas
nem desde quando engulo a seco
e esquento a água da bacia
não sei das infinidades que engasguei te desenhando
e fechando circunferências
mas eu sei que choro
sobre não haver vaga na janela e não poder te enxergar passando
sobre você brilhar em plenitude
em crepom dourado
e eu sentir sua boca nos meus dedos
e chorar porque estou viva e tudo dói demais
e tudo cresce enquanto abaixo a cabeça pra sentir seus cílios
eu poderia chorar pelas coisas se moverem
e eu aqui nessa inércia
me aproveitando do seu cheiro que impreguina na minha manga
eu poderia chorar pelo aspecto longo do seu cabelo
por perceber ele mudando gradativamente
e lembrar de quando doía menos
te ver abrir a boca pra falar meu nome
e te ver piscar os olhos pra me ver no escuro
e ainda
chorar, chorar compulsivamente
pelo mês que está por vir
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Poesias
08 março, 2017
esclarecimento
transar é sobre dividir a sombra da pitangueira
espalhar-se sobre os cactos quando os cactos também forem em você
em parte porque transar inaugura o sofrimento
em parte porque concretiza o universo
quando há corpo há líquido há testemunha
quando seus gatos finalmente querem seu colo
a pele se escandaliza
e a musculatura entrava.
transar é sobre nem sempre ter do seu número
nem sempre andar descalço
usar avental
ouvir travis que te lembra marcelo camelo que te lembra
maria rita que te lembra ser enorme que te lembra o amor
transar é sobre nem sempre haver amor e ainda assim
continuar inerte
é sobre talvez sim talvez não
ou sim não
e responder que bom ao sim e tudo bem ao não
olhar pro sol e pensar que se houver de novo
é porque ninguém controla
transar é sobre não saber como terminar esse poema
e sobre, afinal, saber.
espalhar-se sobre os cactos quando os cactos também forem em você
em parte porque transar inaugura o sofrimento
em parte porque concretiza o universo
quando há corpo há líquido há testemunha
quando seus gatos finalmente querem seu colo
a pele se escandaliza
e a musculatura entrava.
transar é sobre nem sempre ter do seu número
nem sempre andar descalço
usar avental
ouvir travis que te lembra marcelo camelo que te lembra
maria rita que te lembra ser enorme que te lembra o amor
transar é sobre nem sempre haver amor e ainda assim
continuar inerte
é sobre talvez sim talvez não
ou sim não
e responder que bom ao sim e tudo bem ao não
olhar pro sol e pensar que se houver de novo
é porque ninguém controla
transar é sobre não saber como terminar esse poema
e sobre, afinal, saber.
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Poesias
02 março, 2017
de quando é carnaval e eu nem percebo
parada diante da parede e a dor que corrói, feito verme. há umas festas do lado de fora, as pessoas são sempre felizes fora de casa, onde há luz e estradas de paralé. eu sinto saudade. decididamente, eu ligo o chuveiro quente ao calor do meio dia e sinto saudade. pra que pareça verdade e a queimadura apareça forçada na pele seca, sem o cheiro e a saliva pra limpar com guardanapo. e há sempre também uma angústia ao alcance do olho; as próprias mãos oleosas que esfregam as pálpebras e arrancam com força um punhado de cílios pra fazer o mesmo pedido várias e várias e várias vezes, incansavelmente, que venha também ao alcance do olho. que apareça pra mim sem disfarce. e queria logo atravessar os fios do cabelo até o ouvido e sentir mais uma vez algo grandioso e sentir sempre porque o sono chegou e ele quase sempre chega, apesar de tudo.
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