antes de construir às margens de uma rodovia
uma mulher precisa ouvir seu marido que
precisa comprar um terreno e que este dê verduras
essas verduras precisam ser carregadas por um caminhão
um caminhão que seja guiado por jesus
antes de construir às margens de uma rodovia
uma mulher precisa ouvir seu marido que
precisa contatar a autarquia e a autarquia dar suas ordens
com seus devidos apitos na garganta
esta deve estar seca de dunhill
antes de construir às margens de uma rodovia
uma mulher precisa ouvir seu marido que
precisa de mais meia hora de sono
e depois poder beijar todo mundo na boca
como fazem esses bons senhores dessas faixas de domínio
e esta precisa ter uma rodovia amplamente facetada
e ela poder escrever na calçada "nosso amor
é passível de inclinações"
antes de construir às margens de uma rodovia
uma mulher precisa ouvir seu marido que
precisa solicitar um alinhamento e este
se o governo quiser não decepcionará a família
a família de um homem só
e poder pensar no direito de ir embora
como um rio que corre
antes de construir às margens de uma rodovia
uma mulher precisa parar
de ouvir seu marido.
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13 março, 2018
12 dezembro, 2017
do baixo dos prédios
olhando aqui por baixo teu olhar xamânico
vezenquando permanece vivo o negro petróleo nas narinas
e eu penso que rapé é uma miragem
uma visão de necrotério
e eu penso que sou ciente. sou solúvel.
deixando meus pés descalços nas camadas finas de sal grosso
estaríamos você e eu monocromáticos
traindo nossa vila, nossa bandeira
e aqui de cima eu penso na depressão de quem olha pra baixo
vou saber das marcas únicas de sapato
eficiente olhar confuso em desvendar verniz.
descobri que tudo racha
talvez se salve os lábios de gloss brilhoso
a cidade não protege quem não olha pra frente
e fica preso em seu pequeno sabor de hollyood
o peso que sinto sobre você é porque verifico pulmões
e eu não quero que morra
a minha menina.
pensando em escalar paredes eu desenvolvi esse apreço
vivo contínua. perplexa. saturada.
e esse prédio tirando minha vista eu não me conformo
por isso eu escalo paredes
por isso eu atrapalho o sinal da tv de vocês.
me prendi meticulosa nos teus calcanhares
porque aqui de baixo você parecia um bicho e teu cabelo se formou laranja
mas você não sabe escalar prédios
e eu caí.
aqui deitada nessa calçada eu penso que tenho um corpo selvagem
igual aos meninos de cabelo solto que se desmancham
em tantos e tantos pedaços de naturalismo
e que tudo em mim não me agrada
acho que sou um homem
, desculpa.
mas eu não posso saciar a fragilidade dos outros
e me expressar como um indivíduo desconstruído
eu sentiria saudade de mim
do eu confuso.
vezenquando permanece vivo o negro petróleo nas narinas
e eu penso que rapé é uma miragem
uma visão de necrotério
e eu penso que sou ciente. sou solúvel.
deixando meus pés descalços nas camadas finas de sal grosso
estaríamos você e eu monocromáticos
traindo nossa vila, nossa bandeira
e aqui de cima eu penso na depressão de quem olha pra baixo
vou saber das marcas únicas de sapato
eficiente olhar confuso em desvendar verniz.
descobri que tudo racha
talvez se salve os lábios de gloss brilhoso
a cidade não protege quem não olha pra frente
e fica preso em seu pequeno sabor de hollyood
o peso que sinto sobre você é porque verifico pulmões
e eu não quero que morra
a minha menina.
pensando em escalar paredes eu desenvolvi esse apreço
vivo contínua. perplexa. saturada.
e esse prédio tirando minha vista eu não me conformo
por isso eu escalo paredes
por isso eu atrapalho o sinal da tv de vocês.
me prendi meticulosa nos teus calcanhares
porque aqui de baixo você parecia um bicho e teu cabelo se formou laranja
mas você não sabe escalar prédios
e eu caí.
aqui deitada nessa calçada eu penso que tenho um corpo selvagem
igual aos meninos de cabelo solto que se desmancham
em tantos e tantos pedaços de naturalismo
e que tudo em mim não me agrada
acho que sou um homem
, desculpa.
mas eu não posso saciar a fragilidade dos outros
e me expressar como um indivíduo desconstruído
eu sentiria saudade de mim
do eu confuso.
22 novembro, 2017
amor perda pânico armário soluço
eu só posso te ver com a mão no peito
me assegurando que minhas mãos são parede
teia. refúgio. cianeto de potássio.
que minhas mãos são ladeira
e que você pode descer
sem medo
tendo em vista o corpo todo e saber que ele é só uma máscara
escondendo o corpo que tem dentro
que esconde outro e talvez mais um embaixo
olhando bem pra dentro da sua primeira pele
onde há constâncias e regularidades
quando posso ver tua cabeça
teu peito longe de mim é o que menos importa
eu não consigo não correr o risco
porque tudo em mim é cada gesto sucumbido
história de selvageria transa mística que me atrevo a esquecer meu bem
não esqueço
a abelha que você manda pra longe
com um gesto de mão fechada
és aberta enfim só de corpo
e pra abrir você a gente usa aqueles serrotes com cabo de alumínio
saber que és toda autêntica e em si preliminar
só no teu rosto que a gente ver por um instante
a dor descendo dos cílios circenses
és aberta enfim só de corpo
e não fostes jamais veneno, agrotóxico. talvez a plantação.
e da tua árvore geneológica
só você conhece a vida
assim se as coisas que você pensa e sente
tem origem gesto explicação
mostre gesticule explique
por você ter no mesmo teto o fogo-fátuo
com aparência de gente de cabelos brancos
que da palavra adeus
eu só consigo ler desastre.
me assegurando que minhas mãos são parede
teia. refúgio. cianeto de potássio.
que minhas mãos são ladeira
e que você pode descer
sem medo
tendo em vista o corpo todo e saber que ele é só uma máscara
escondendo o corpo que tem dentro
que esconde outro e talvez mais um embaixo
olhando bem pra dentro da sua primeira pele
onde há constâncias e regularidades
quando posso ver tua cabeça
teu peito longe de mim é o que menos importa
eu não consigo não correr o risco
porque tudo em mim é cada gesto sucumbido
história de selvageria transa mística que me atrevo a esquecer meu bem
não esqueço
a abelha que você manda pra longe
com um gesto de mão fechada
és aberta enfim só de corpo
e pra abrir você a gente usa aqueles serrotes com cabo de alumínio
saber que és toda autêntica e em si preliminar
só no teu rosto que a gente ver por um instante
a dor descendo dos cílios circenses
és aberta enfim só de corpo
e não fostes jamais veneno, agrotóxico. talvez a plantação.
e da tua árvore geneológica
só você conhece a vida
assim se as coisas que você pensa e sente
tem origem gesto explicação
mostre gesticule explique
por você ter no mesmo teto o fogo-fátuo
com aparência de gente de cabelos brancos
que da palavra adeus
eu só consigo ler desastre.
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Miss lisergia,
O que se deu em algum momento,
Poesias
22 outubro, 2017
profundidade das coisas
ouça a placenta, ela dirá: o amor é absurdamente inviável. ele se verá em formas humanas, porque também é gente. mas late, entra no cio. esguicha água, molha plantações.
mas quando ele chegar, não escape.
veja. você verá, agora, que descanso.
eu tive medo, mas eu montei no mundo. eu controlei o guidom.
éramos fortes e eu pressupus que seríamos sempre, por que pra quê a eternidade senão o alívio?
e cansar devia-se ao mistério, à profundidade das coisas.
força pra aguentar esses dias que são loucos. esses dias fervem, garota. eles escapam.
e a menina roxa preta bege que não te quer de branco
ela sentirá o peso, lá, dentro da cabeça
não há amor que aguente à queda rasa.
mas quando ele chegar, não escape.
veja. você verá, agora, que descanso.
eu tive medo, mas eu montei no mundo. eu controlei o guidom.
éramos fortes e eu pressupus que seríamos sempre, por que pra quê a eternidade senão o alívio?
e cansar devia-se ao mistério, à profundidade das coisas.
força pra aguentar esses dias que são loucos. esses dias fervem, garota. eles escapam.
e a menina roxa preta bege que não te quer de branco
ela sentirá o peso, lá, dentro da cabeça
não há amor que aguente à queda rasa.
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Poesias
16 outubro, 2017
letárgica
soube que os homens se esgotaram
então o sexo é isso, meu bem, só isso?
soube da tristeza embaixo dos óculos
eu quase sinto desprezo
mas paro. olho.
e sinto desprezo por mim também
eu sinto ânsias. crateras. insurreições.
e nunca tenho na língua o que quero
depois a lobotomia, o estresse
meu corpo é uma órbita desconhecida
em meio as ruínas bonitas do meio-fio
a menina hermética me diz do ruído
choro porque a liberdade dói e sartre fala
do peso que é
existir
e ser mulher, ser ogra, artifício
ser gente e incomodar
como as ondas no céu da boca de um cachorro
ser sozinha, com o olhar estancado
e ainda assim te querer abaixo da unha
abaixo da sandália de coro
olhar a merda toda, a vida fodida, esgotada
te querer fraca
e longe de mim
e eu cansada, diluída no próprio poço que formei
me acaricio depois por medo do que falo
me vejo faltosa. límbica. letárgica.
fico à deriva, em desuso.
então o sexo é isso, meu bem, só isso?
soube da tristeza embaixo dos óculos
eu quase sinto desprezo
mas paro. olho.
e sinto desprezo por mim também
eu sinto ânsias. crateras. insurreições.
e nunca tenho na língua o que quero
depois a lobotomia, o estresse
meu corpo é uma órbita desconhecida
em meio as ruínas bonitas do meio-fio
a menina hermética me diz do ruído
choro porque a liberdade dói e sartre fala
do peso que é
existir
e ser mulher, ser ogra, artifício
ser gente e incomodar
como as ondas no céu da boca de um cachorro
ser sozinha, com o olhar estancado
e ainda assim te querer abaixo da unha
abaixo da sandália de coro
olhar a merda toda, a vida fodida, esgotada
te querer fraca
e longe de mim
e eu cansada, diluída no próprio poço que formei
me acaricio depois por medo do que falo
me vejo faltosa. límbica. letárgica.
fico à deriva, em desuso.
02 outubro, 2017
desobediência
não sei do cabelo que tive
nem do semblante que eu tinha:
é só a epifania
o que fica do que passa
quase tudo é um só demônio
enrustido
em vestes pela vidraça
porque eu me encontrei, mãe
nas peles finas que habito
ficar em mim
estar em mim
a desobediência
nem do semblante que eu tinha:
é só a epifania
o que fica do que passa
quase tudo é um só demônio
enrustido
em vestes pela vidraça
porque eu me encontrei, mãe
nas peles finas que habito
ficar em mim
estar em mim
a desobediência
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O que se deu em algum momento,
Poesias
26 setembro, 2017
serei eu repleta de inutilidades
possíveis erros. reestruturação das lembranças.
eu não serei, jamais, inquieta
diante do teu amor cansado. passivo. distante.
serei eu, portanto, cansada também.
homens nocivos me incriminam
sem facas, adegas, panos de prato, amor, amor
eu não tenho sequer um molho pronto pra jogar na cara de vocês.
sou alvo, desculpa, serei sempre alvo
e por isso tenho pressa de morrer em mãos exaustas.
quentes. calmas. mãos de mulher.
por isso me perdi tentando ver em você um deus
um deus ausente de espiritualidade
que me apontasse o caminho real da volta
pra ser plena e desfigurada.
não, não carrego em mim sonho algum
estou repleta de inutilidades
a escassez é o mundo e o mundo a escassez em si
você disse: perplexa. moldável.
eu sou o alívio:
inviável. insaciável. intransponível.
quase mitigada, te darei aos montes
o vazio das coisas.
eu sei que você estará aí. ambígua. polissêmica.
esperando minhas pernas bambearem, minhas asas se quebrarem ao meio.
mas não. não serei eu.
eu não serei, jamais, inquieta
diante do teu amor cansado. passivo. distante.
serei eu, portanto, cansada também.
homens nocivos me incriminam
sem facas, adegas, panos de prato, amor, amor
eu não tenho sequer um molho pronto pra jogar na cara de vocês.
sou alvo, desculpa, serei sempre alvo
e por isso tenho pressa de morrer em mãos exaustas.
quentes. calmas. mãos de mulher.
por isso me perdi tentando ver em você um deus
um deus ausente de espiritualidade
que me apontasse o caminho real da volta
pra ser plena e desfigurada.
não, não carrego em mim sonho algum
estou repleta de inutilidades
a escassez é o mundo e o mundo a escassez em si
você disse: perplexa. moldável.
eu sou o alívio:
inviável. insaciável. intransponível.
quase mitigada, te darei aos montes
o vazio das coisas.
eu sei que você estará aí. ambígua. polissêmica.
esperando minhas pernas bambearem, minhas asas se quebrarem ao meio.
mas não. não serei eu.
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Escritos inspirados em alguém,
Eu (quando me vejo),
Poesias
28 agosto, 2017
adegas e cabelos grandes
a coisa da adega no peito
a tua voz arderá no útero
eu sei que corro
e você estará lá calibrando os pneus
seguimos
num lance bíblico amarrando as avencas
sentindo o pó das flores
abaixo dos pés descalços
enquanto teus fios
brotam volume
não quero a dor
de fingir que não vejo
os homens atolando os bois
me ensina qual pedra usar no pescoço
seu ponto de força
o breu que reje
é a nudez que escondo:
entre
com as pedras de xangô nas mãos
a cor
a nossa cor
que a paleta não mostra
a tua voz arderá no útero
eu sei que corro
e você estará lá calibrando os pneus
seguimos
num lance bíblico amarrando as avencas
sentindo o pó das flores
abaixo dos pés descalços
enquanto teus fios
brotam volume
não quero a dor
de fingir que não vejo
os homens atolando os bois
me ensina qual pedra usar no pescoço
seu ponto de força
o breu que reje
é a nudez que escondo:
entre
com as pedras de xangô nas mãos
a cor
a nossa cor
que a paleta não mostra
22 agosto, 2017
frívola inerte operante
no fim
teu fluxo na boca
me oprime
me rotula
se tornou sulfato em riscos pela língua
ainda sim te gosto
te tenho nos joelhos
porque sou bicha
física, mental, corpórea
metalinguística
te cuspo aos montes sem escarro
porque prefiro viva a dor
que manchada no meu colo
sem cor, sem gosto
me p(refiro) assim puta
afrontosa
cigana
hilda, encosta em mim e fixa
feito lodo
onde escorrego fácil
onde frágil permaneço
meu sufixo
são meus glóbulos vermelhos
meu cabelo crespo
minha senzala
própria
não deixo que vejam meus colapsos
descanso
já me tornei a frívola inerte operante
que pretendia
teu fluxo na boca
me oprime
me rotula
se tornou sulfato em riscos pela língua
ainda sim te gosto
te tenho nos joelhos
porque sou bicha
física, mental, corpórea
metalinguística
te cuspo aos montes sem escarro
porque prefiro viva a dor
que manchada no meu colo
sem cor, sem gosto
me p(refiro) assim puta
afrontosa
cigana
hilda, encosta em mim e fixa
feito lodo
onde escorrego fácil
onde frágil permaneço
meu sufixo
são meus glóbulos vermelhos
meu cabelo crespo
minha senzala
própria
não deixo que vejam meus colapsos
descanso
já me tornei a frívola inerte operante
que pretendia
19 agosto, 2017
suor choro esquecimento - parte 1
mais tarde eu deixarei que morra em mim o aspecto violento do teu rosto
ele hoje é quase como as teias que fazem e se desfazem ao longo de uma parede de cal
eu desapareceria para que desaparecesse junto os sois
veja bem: eu não sei que cara tem o atlântico
mas ainda assim eu me afogo.
olhar para trás é tão inútil quanto agarrar-se aos calcanhares de quem flutua
teu despejo é quase um cuspe
e viver como ciganos numa terra imóvel, preocupa-me
te tenho na cabeça como parte da pele, abaixo das sobrancelhas
e você não aparece no reflexo, como se não existisse
mas todos nós sabemos que está ali na guerra, ainda que exausta,
o amor debaixo da terra
junto às minhocas, se alimentando das folhas
permanece teu suor
como parte de um organismo.
tão sensato quanto deixar que morra em mim qualquer coisa viva
é deixar que permaneça a dor do parto
enquanto sangra a placenta,
dorme mais cedo o que é prematuro
e o sol gravado no teu rosto, desaparece.
e eu busco o gesto que doei aos centros
ficou qualquer coisa gelada que derrete muito lentamente
e os carbonos não ajudam.
não tema em mim o gosto do escândalo
eu sou quieta, como um lago
e meu grito sucumbe aos reflexos solares que você emite
e emite essa árvore genealógica
arrancada com machados
por essas mãos perplexas/suadas
onde deito a cabeça.
ele hoje é quase como as teias que fazem e se desfazem ao longo de uma parede de cal
eu desapareceria para que desaparecesse junto os sois
veja bem: eu não sei que cara tem o atlântico
mas ainda assim eu me afogo.
olhar para trás é tão inútil quanto agarrar-se aos calcanhares de quem flutua
teu despejo é quase um cuspe
e viver como ciganos numa terra imóvel, preocupa-me
te tenho na cabeça como parte da pele, abaixo das sobrancelhas
e você não aparece no reflexo, como se não existisse
mas todos nós sabemos que está ali na guerra, ainda que exausta,
o amor debaixo da terra
junto às minhocas, se alimentando das folhas
permanece teu suor
como parte de um organismo.
tão sensato quanto deixar que morra em mim qualquer coisa viva
é deixar que permaneça a dor do parto
enquanto sangra a placenta,
dorme mais cedo o que é prematuro
e o sol gravado no teu rosto, desaparece.
e eu busco o gesto que doei aos centros
ficou qualquer coisa gelada que derrete muito lentamente
e os carbonos não ajudam.
não tema em mim o gosto do escândalo
eu sou quieta, como um lago
e meu grito sucumbe aos reflexos solares que você emite
e emite essa árvore genealógica
arrancada com machados
por essas mãos perplexas/suadas
onde deito a cabeça.
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14 agosto, 2017
enquanto escorro, teus dias chegam
Não te deixo correr a favor desses olhos tristes
porque me é saudável a ausência desses pés gelados
que me fariam irregular e diluída
no poço esclarecido desse tempo.
Sou eu deitada na areia, porque me fiz intacta na tua mão
sem domínio, sem escândalo, sem piúba queimando pulso
eu e a estrela da morte
faríamos da tua face a minha face
e dos teus escrúpulos os meus escrúpulos
deformados, como pretendias.
Na postura desse vento, teu corpo imerge solto
eu poderia escancarar teu ventre no auge do teu dia
te fazer encarar as velas e pedir à mim na tua frente
inteira então, embora duplamente esquecida
consumir os teus restos
entrando pelos pulmões.
A respeito do fastio gerado pelo tempo: terei eu sido amamentada?
Eu deixarei que durmas mais uma vez em posição fetal
que é o meu reflexo
eu deixarei dormir o amor em panos quentes
porque teu refluxo é a sensação de ter perdido em mim
a beleza desse colapso.
porque me é saudável a ausência desses pés gelados
que me fariam irregular e diluída
no poço esclarecido desse tempo.
Sou eu deitada na areia, porque me fiz intacta na tua mão
sem domínio, sem escândalo, sem piúba queimando pulso
eu e a estrela da morte
faríamos da tua face a minha face
e dos teus escrúpulos os meus escrúpulos
deformados, como pretendias.
Na postura desse vento, teu corpo imerge solto
eu poderia escancarar teu ventre no auge do teu dia
te fazer encarar as velas e pedir à mim na tua frente
inteira então, embora duplamente esquecida
consumir os teus restos
entrando pelos pulmões.
A respeito do fastio gerado pelo tempo: terei eu sido amamentada?
Eu deixarei que durmas mais uma vez em posição fetal
que é o meu reflexo
eu deixarei dormir o amor em panos quentes
porque teu refluxo é a sensação de ter perdido em mim
a beleza desse colapso.
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07 agosto, 2017
a fossa dos dias
estive nessa montanha-russa em gradiente
não consigo não inclinar minha cabeça pra baixo
enquanto as pernas tremem e as pessoas vomitam;
enquanto nossas unhas raspam o ferro enferrujado;
enquanto alguém grita o nome de alguém que morreu;
enquanto não sabemos ao certo se somos nós os vivos;
não consigo não inclinar minha cabeça pra qualquer lado
porque seu beijo faria molhar meu batom
e eu sentiria frio nas inclinações da boca
e eu não sei congelar em braços estranhos.
não te procuro
a verdade desse tempo não me é suficiente
o seu sorriso de boas vindas não me é suficiente
nem esse amor insólito
nem esse estado de morte constante
apenas a fossa
desses dias.
não consigo não inclinar minha cabeça pra baixo
enquanto as pernas tremem e as pessoas vomitam;
enquanto nossas unhas raspam o ferro enferrujado;
enquanto alguém grita o nome de alguém que morreu;
enquanto não sabemos ao certo se somos nós os vivos;
não consigo não inclinar minha cabeça pra qualquer lado
porque seu beijo faria molhar meu batom
e eu sentiria frio nas inclinações da boca
e eu não sei congelar em braços estranhos.
não te procuro
a verdade desse tempo não me é suficiente
o seu sorriso de boas vindas não me é suficiente
nem esse amor insólito
nem esse estado de morte constante
apenas a fossa
desses dias.
01 agosto, 2017
amor-fúria
depois eu fico olhando pra você como se fosse um poço. aqui, agora e depois, você de banho e rumo tomado. burguesinha eclética, o vermelho do meu sangue na cor da tua camisa, o preto fosco dos teus cílios na ponta dos meus dedos, meu corpo e teu corpo assim azul-montanha, carregado. aos homens que passam distraídos eu direi esse amor-fúria, o sufoco, gesto-medonho-enclausurado-que-é-essa-vontade-irremediavelmente-grotesca de tocar você, como se fosse uma dessas decorações de interiores. eu cuspo nessas beiras de buraco, gosto da palavra morte, e fico rondando pelas circunferências onde você fica, um tipo feito compasso. mexo no nódulo que é esse coração -e soluço, nunca sequer toque no meu ombro caso me encontre paralisada, estive assim na falta de coragem de acordar os músculos, não olhe pra mim, não me veja assim perplexa. eu nunca aguentei o peso do fim, é como dormir com búfalos. esse amor-fúria que senti por você, e que agora quase se esvai, de uma burrice escandalosa, me deixa a mercê da queda, da fragilidade da casca de um ovo. a saudade, esse estar sentenciado, e chorar quente todos os dias como se a febre fosse interna e talvez seja esses estados completamente convulsionais de saudade. pensar que coisa louca que é estar sozinho e lembrar que jamais estarei porque você está aqui dentro, provavelmente entre os pulmões.
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28 julho, 2017
hipocondríaca
não é exatamente a solidão é mais que a solidão
é o meu corpo que deixo semi-destampado
como bueiro em avenida
suas pernas reacionárias seu esperma sua saliva
eu corro contra a repressão
que é deixar a nuca coberta
e é por isso que eu corto o meu cabelo
eu me basto fluída
hemorrágica
com meus dedos de esmalte
e hipocondríaca eu justifico a minha mágoa
com a falta de amor
beijando a mulher que fui
há ventre em tudo que toco
há ovário em tudo que cheiro
eu deixo que chore esse corpo
e molhe os cílios
porque recomeço infinita
e só.
é o meu corpo que deixo semi-destampado
como bueiro em avenida
suas pernas reacionárias seu esperma sua saliva
eu corro contra a repressão
que é deixar a nuca coberta
e é por isso que eu corto o meu cabelo
eu me basto fluída
hemorrágica
com meus dedos de esmalte
e hipocondríaca eu justifico a minha mágoa
com a falta de amor
beijando a mulher que fui
há ventre em tudo que toco
há ovário em tudo que cheiro
eu deixo que chore esse corpo
e molhe os cílios
porque recomeço infinita
e só.
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23 julho, 2017
escândalos do dia e a falta de suporte
sou eu a incapacidade de falar enquanto vejo
diante de você um estranho que se assolou na minha cabeça
meu coração é um nódulo
e não responde às perguntas que faço em silêncio
você dorme hoje sem precisar abrir a boca
e esconder de mim os escândalos do dia
não poderia pôr as mãos no meu cabelo e sentir
a oleosidade que é dormir no sol
com você em outra dimensão que não esta
com as mesmas pernas abertas para o frio vento de agosto
que não eu
você está nessa cidade que cheira a pólvora
e eu me contento com seu cheiro misturado aos óleos de cozinha
deixe-me escrever como quero escrever assim afugentada
de você e do que eu achei que seria nós no centro do mundo
não acredito nessa boca que me cospe desculpas
ferir e magoar nem sempre são a mesma coisa mas
você fez ser igual
com sua postura de sereia me negando o mar
não quero acreditar que prestamos só no transe
sua falta de amor pesou demais dentro de mim
e eu não quero nunca mais me ver nesse formato
assim distante
assim exilado
assim febril.
diante de você um estranho que se assolou na minha cabeça
meu coração é um nódulo
e não responde às perguntas que faço em silêncio
você dorme hoje sem precisar abrir a boca
e esconder de mim os escândalos do dia
não poderia pôr as mãos no meu cabelo e sentir
a oleosidade que é dormir no sol
com você em outra dimensão que não esta
com as mesmas pernas abertas para o frio vento de agosto
que não eu
você está nessa cidade que cheira a pólvora
e eu me contento com seu cheiro misturado aos óleos de cozinha
deixe-me escrever como quero escrever assim afugentada
de você e do que eu achei que seria nós no centro do mundo
não acredito nessa boca que me cospe desculpas
ferir e magoar nem sempre são a mesma coisa mas
você fez ser igual
com sua postura de sereia me negando o mar
não quero acreditar que prestamos só no transe
sua falta de amor pesou demais dentro de mim
e eu não quero nunca mais me ver nesse formato
assim distante
assim exilado
assim febril.
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16 julho, 2017
nota sobre o peso da maré
geralmente é forte. tenho medo de não conseguir mais olhar pra ela. feito o vento de agosto, eu sei que está ali porque me toca como toca as folhas de uma árvore; me derruba como derrubaria as folhas de uma árvore em crescimento. não posso me permitir andar descalça nesses dias, sinto medo do chão que piso. eu poderia voar no vento dela, que bate em outra porta e abre outra porta, arreganha janelas e enferruja trincos; talvez ela se assemelhe mais a algo vindo do mar. e eu não pesco, porque talvez eu não aguente o peso da maré.
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09 julho, 2017
tem um pouco de você nesse pedaço de mundo que escolhi
é que por ter estatura média
eu não controlo os voos sensíveis
não enxergo a cor verde
e não é pela ausência do teu olhar de jade
me falta a calma e a seiva bruta do pedaço de galho que escolhi
é que me rotulam pelo formato estranho do galho que escolhi
vivo entretanto no meio dos pneus que queimei
no meio do corredor que construí
não sei por que o medo de agraciar os fantasmas enquanto se dorme
de gostar dos ruídos frenéticos dos morcegos
mas é vendo você que acredito nas pessoas como um campo magnético
e me atrai a postura caída dos teus dedos longos
teu globo ocular
e de como o francês se torna agressivo na sua voz
tudo isso tem a ver com a árvore do quintal do mundo
e dos galhos mais finos que a gente escolhe
de onde a queda se torna mais bonita
do alto, é quase impossível não se dispor à queda
tem um pouco de você nesse pedaço de mundo que escolhi
onde a guerra é interna e os corpos se respeitam.
eu não controlo os voos sensíveis
não enxergo a cor verde
e não é pela ausência do teu olhar de jade
me falta a calma e a seiva bruta do pedaço de galho que escolhi
é que me rotulam pelo formato estranho do galho que escolhi
vivo entretanto no meio dos pneus que queimei
no meio do corredor que construí
não sei por que o medo de agraciar os fantasmas enquanto se dorme
de gostar dos ruídos frenéticos dos morcegos
mas é vendo você que acredito nas pessoas como um campo magnético
e me atrai a postura caída dos teus dedos longos
teu globo ocular
e de como o francês se torna agressivo na sua voz
tudo isso tem a ver com a árvore do quintal do mundo
e dos galhos mais finos que a gente escolhe
de onde a queda se torna mais bonita
do alto, é quase impossível não se dispor à queda
tem um pouco de você nesse pedaço de mundo que escolhi
onde a guerra é interna e os corpos se respeitam.
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Eu (quando me vejo),
O que se deu em algum momento,
Poesias
22 junho, 2017
luck strike
as mulheres encostam suas cabeças nas grades
eu recolho o corpo, resisto
e sinto o resquício do amor vertiginoso
sinto o papel machê colar na pele
do alto, o sol não sabe se me toca primeiro
daí atravessa pra encostar no rosto de um menino
eu sinto raiva
o sol parece me querer enquanto matéria
só corpo dilatado
e minha beleza desaparece.
meu dedo está sujo de luck strike e eu toco no rosto
aliso minhas pálpebras
tudo parece ter cheiro e gosto de fumaça
e o cigarro me parece ser cada vez mais
hábito costume vício
como um mantra
hábitocostumevíciohábitocostumevício
a vida é só uma questão de similaridade.
eu recolho o corpo, resisto
e sinto o resquício do amor vertiginoso
sinto o papel machê colar na pele
do alto, o sol não sabe se me toca primeiro
daí atravessa pra encostar no rosto de um menino
eu sinto raiva
o sol parece me querer enquanto matéria
só corpo dilatado
e minha beleza desaparece.
meu dedo está sujo de luck strike e eu toco no rosto
aliso minhas pálpebras
tudo parece ter cheiro e gosto de fumaça
e o cigarro me parece ser cada vez mais
hábito costume vício
como um mantra
hábitocostumevíciohábitocostumevício
a vida é só uma questão de similaridade.
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Poesias
19 junho, 2017
taquicardia
eu olharia pra você
e sofreria com a falência do corpo compacto
talvez minha náusea aumentaria e meu vômito não caberia no seu colo
como um momento evoluído do cuspe ou talvez estratosférica
eu não saberia como uivar em plena lua cheia
porque era inteiramente pra você minha fase de cio
comprometida com minha febre epilética
eu não buscaria exílio no teu peito pra sofrer com conforto
e por isso danço de cabeça caída
por isso me expulso do meu próprio reino
por isso esses dedos vinho e esses olhos enxofre
talvez você entenda essa minha pressa de revolução
ao olhar pra você eu teria que atrapalhar minha reza
falar em voz alta o santo anjo do senhor
com indícios sutis de um pedido de socorro
e no entanto duvidar da luz dona do mundo
numa espécie de encanto
acreditar pra sempre em tudo que for meu
meus gemidos
o colo do meu útero
a esfinge tatuada no colo do meu útero
minhas estrias
minha veia estourada em tom esverdeado
meu sinal na comissura da boca
o lóbulo da minha orelha
meus seios
meus ataques de prevenção à ansiedade
minha nudez quase pervertida
meu colar de pedra das estrelas
minha sensibilidade filha da puta
meu ninho
meu sono
meu ciclo menstrual
e portanto agradecer àqueles seus cílios circenses
do contato quase frenético das nossas gengivas
daqueles que dá formigamento
e acaba no instante em que o doce é tirado do lugar
a fome, eu diria, está afinal em busca de outra coisa
eu estou afinal em busca de outra coisa.
e sofreria com a falência do corpo compacto
talvez minha náusea aumentaria e meu vômito não caberia no seu colo
como um momento evoluído do cuspe ou talvez estratosférica
eu não saberia como uivar em plena lua cheia
porque era inteiramente pra você minha fase de cio
comprometida com minha febre epilética
eu não buscaria exílio no teu peito pra sofrer com conforto
e por isso danço de cabeça caída
por isso me expulso do meu próprio reino
por isso esses dedos vinho e esses olhos enxofre
talvez você entenda essa minha pressa de revolução
ao olhar pra você eu teria que atrapalhar minha reza
falar em voz alta o santo anjo do senhor
com indícios sutis de um pedido de socorro
e no entanto duvidar da luz dona do mundo
numa espécie de encanto
acreditar pra sempre em tudo que for meu
meus gemidos
o colo do meu útero
a esfinge tatuada no colo do meu útero
minhas estrias
minha veia estourada em tom esverdeado
meu sinal na comissura da boca
o lóbulo da minha orelha
meus seios
meus ataques de prevenção à ansiedade
minha nudez quase pervertida
meu colar de pedra das estrelas
minha sensibilidade filha da puta
meu ninho
meu sono
meu ciclo menstrual
e portanto agradecer àqueles seus cílios circenses
do contato quase frenético das nossas gengivas
daqueles que dá formigamento
e acaba no instante em que o doce é tirado do lugar
a fome, eu diria, está afinal em busca de outra coisa
eu estou afinal em busca de outra coisa.
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Poesias
09 junho, 2017
faxina
quis varrer a corpo e colocar você pra fora
mas não consegui
e se foram todos os gemidos
junto com os ecos
os becos
e os itinerários.
quero ser ferida
e sou a própria preta
num acidente grave
catastrófico
que infere no meu posto de silêncio.
ah, se você percebesse
que não sou o rei de copas
não sofro através do fígado
foi você que deixou essa espécie de espinho
que entrava
e amanhece.
não me fodo às quintas
e tudo bem.
minha falta de sexo
não é minha falta de corpo
a guerra estoura entre as linhas da mão
e o tempo nunca foi nosso
o pedido de gozo nunca foi nosso
e o teatro:
teu cinismo.
mas não consegui
e se foram todos os gemidos
junto com os ecos
os becos
e os itinerários.
quero ser ferida
e sou a própria preta
num acidente grave
catastrófico
que infere no meu posto de silêncio.
ah, se você percebesse
que não sou o rei de copas
não sofro através do fígado
foi você que deixou essa espécie de espinho
que entrava
e amanhece.
não me fodo às quintas
e tudo bem.
minha falta de sexo
não é minha falta de corpo
a guerra estoura entre as linhas da mão
e o tempo nunca foi nosso
o pedido de gozo nunca foi nosso
e o teatro:
teu cinismo.
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